Algumas mensagens que troquei sobre moedas, fica apenas para fins de registro.
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Vou percebendo que minha falta de conhecimento é
barreira para algumas questões simpels. Por
exemplo agora estou vendo que moeda não é sinônimo de riqueza, ou melhor, que há diferenças
entre:- moeda- preço- riqueza- mercadoria
Se puderem me escrever mandando ponderações fáceis de entender a respoito,
agradeço.
Rascunhando
minha própria tentativa: tá me parecendo que a moeda, apesar de ter
sido escolhida para representar a riqueza por sua durabilidade, também
tem "vencimento", tal como a fruta que apodrece depois de um tempo. No
caso da fruta, sua riqueza em utilidade se
esvai por ter passado da
data de validade, e no caso da moeda, ela falha como meio de compra de
riqueza por determinado preço. Se a moeda se desvaloriza, ela não
consegue representar uma dada quantidade de riqueza, que "negocia" com
preço da mercadoria a ser comprada.
Eu entendia inicialmente que
preço = riqueza = moeda
Mas agora vejo que estava bem enganado,
preço me parece uma coisa muito fluida, que a moeda tenta capturar, mas
visualizo como borboletas muito fluidas e uma rede tentando capturá-las
para ver se juntando, dá a riqueza...
Um dos textos que encontrei é
"gold has no price", achei isso bem intrigante e ainda tenho de
refletir se concordo ou não. Por esse texto, o ouro não tem preço por
um motivo lógico até que simples: a moeda não pode ter preço pois ela é
representante do preço, e
se ela tivesse preço seria dizer que ela
é equivale a si mesma. Mas... uma pergunta que me vem, é "tá, mas
porque devemos evitar essa tautologia? Porque devemos evitar dizer que
ouro tem preço?"
Parece que o texto quer dizer que a produção de ouro não devia ser contada na hora de calcular o
preço total dos
custos de produção da sociedade: ou seja, soma todos os custos de
produção menos o do ouro (moeda) pois o custo total é que tem de ser
confrontado com o ouro, e não a soma+ouro ser confrontada com o ouro...
Mas
estava refletindo sobre o sistema capitalista atual: parece que o dolar
não é lastreado no ouro, então dolar é lastreado pelo conjunto de
produções nacinais (americanas) e internacionais, e quando há forte
abalo em nos mercados, o
valor do dolar também sofre abalo, ou seja, o dolar, apesar de dever ser o
"confrontante" (como no parágrafo acima), está também no conjunto...
Então
me parece assim: enquanto tem um dizendo que a soma se confronta com o
ouro, e não deve ser soma+ouro a se confrontar com o ouro, na sociedade
moderna, dolar devia ser o "confrontante", de a soma se confrontar com
o dolar, mas na prática soma+dolar é que se confornta com o dolar, e
parece ser por isso que o valor do dolar tma´bem se abala quando o
mercado se
abala.
(esse é mais um texto que vou escrevendo sem
pensar no conjunto, então sinto muito, aposto que estou deixando-os
tontos de novo. Provavlemente dá vertigem ao me verem indo de micro
para o macro assim, sem ter recebido a erudição econômica, a
"educação". Sou um "mal-educado" que tá falando da mercadoria e moeda e
no mesmo parágrafo tá falando de bolsa e dolar.... Tenho certeza que é
"má-educação"/falta de erudição mesmo, não
é genialidade não! Se puderem me ajudar me dando toques de bê-a-bá agradeceria muito!)
Célio
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(do Luiz)
Celinho,
Tenho tentado escrever lhe algo. mas como gasto tempo
demais com assuntos que me interessam de menos acabo por não
conseguir.Tenho acompanhado seus textos com atenção na medida do
possível, em especial esse último. Tens boas coisas escritas e a
despeito de questões de estilo
tens um material muito bom em mãos.
Se não no sentido de uma teoria da pequena produção no sentido de uma
leitura de Marx para além da média dos economista heterodoxos. Espero
em breve lhe produzir algum comentário digno, enquanto isso escrevo
para dar satisfação e demonstrar minha admiração.Abs,Luiz
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Valeu Luiz!
E tava pensando que a questão do ouro/dolar ter
preço. Uma forma de resumir seria fazer a pergunta: "quantos reais vale
um real?". Quase todos diriam: "um real vale um real" e complementariam
com o comentário: "não se mede real com reais", porque se cai na
tautologia que soa como um pleonasmo. embora essa resposta pareça
simples, pelo jeito é esse raciocínio que fundamenta "gold has no
price", que é muito mais complexo.
Ah, encontrei o texto que diz "gold has no price", é esse: http://www.mtholyoke.edu/~fmoseley/working%20papers/TRANSFORMATION.pdf como
se vê o tema é tão complexo que é um daqueles textos tentando responder
o problema da transformação. Ah, pelo pouco que li do texto, a resposta
do autor
não seria "um real vale um real", mas sim "um real vale na
verdade R$0,50, que é o seu custo para produzí-la, mas como tem a mais
valia, dá um real" ou "investindo 50 centavos, consigo produzir 1 real,
investindo esse 1 real novamente na produção, consigo 2 reais", e
talvez complementasse a observação de que: "estou falando de custos e
resultados verdadeiros, não estou falando de decisões artificiais
políticas tipo Cr$ 1000 agora vale Cr$ 1 pois cortei zeros!". Contudo,
ele diria também que "embora essa discussão não interesse pois digo que
dinheiro não tem preço!".
Mas volto ao dolar, quando a discussão novamente sai fora do óbvio pois a resposta para o dólar parece ser:
(numa
lingua enrolada) "Um dólar vale um dolar, mas um dolar vale o quanto
vale a cotação do dolar, influenciada pela quantidade de itens que
represetnam um dolar, mas esse dolar com que
representamos um dolar pode variar e...."
ou
seja:
"Um
dólar pode ser representado em quantidade de mercadorias que se compra
com um dolar, mas essa quantidade depende da cotação do dolar. Uma ação
do Citibank vale tantos dolares, mas quando Citigroup tá indo para
falência, ela afeta até o dolar, o dolar não é lastreado no ouro, o
dolar é meio lastreado em si mesmo, sendo esse si mesmo dependendo da
situação do mercado, onde se troca as coisas baseado na cotação do
dolar... se o mercado se abala, o dolar também se abala e nada parece
sólido, como se o mercado ficasse em solavancos e não soubéssemos no
que agarrar!"
Célio
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Sobre o dolar e as bolsas, pelo jeito é um engano enxerga-los pela teoria "simples" marxista assim
relação:
dolar - bolsas => dinheiro - mercadorias
(sendo dinheiro uma mercadoria especial)
Na
relação dolar-bolsas não é o dolar que é a mercadoria-referência
escolhida por sua durabilidade, estabilidade de valor, essas coisas.
Pensando bem nem é mercadoria.
Vi essa matéria recente e assutadora sobre os EUA: "Uma potência à beira da insanidade".
http://outraspalavras.net/capa/uma-potencia-a-beira-da-insanidade/
Onde
se lê: "Os mercados financeiros tratam os títulos da dívida
norte-americana como o ativo mais seguro. A presunção de que os EUA
sempre honrarão sua dívida é a viga-mestra que sustenta o sistema
financeiro internacional. Em particular, os títulos do Tesouro –
obrigações de curto prazo dos EUA – são o que os investidores procuram,
quando querem contrapartidas absolutamente sólidas contra perdas em
empréstimos. Estes papéis são tão essenciais que, em momentos de
estresse severo dos mercados, eles às vezes pagam taxas de juros
ligeiramente negativas. Ou seja, são tratados com se fossem melhores
que dinheiro vivo."
Na discussão sobre moeda, algo serve de
referencial, unidade de medida e item divisível/transportável. Para
trocar itens perecíveis e não-divisíveis por 100 (para formar
centavos), se tinha como referência a moeda, para pequenos ajustes.
Pensando bem, talvez essas características únicas não tornem a moeda a
coisa mais importante do sitema, mas bem...
O certo é que na
atualidade, o dólar pode ser oficialmente a moeda, mas o que realmente
serve de moeda é a dívida pública americana. É ela a referência, e
quase que tranquilamente poderíamos dividir em cotas-parte, e essas
cotas-parte em centavos e assim teríamos uma nova moeda. Eu digo
"quase" pois a dívida é um processo, não um item sólido como ouro. AÍ
ESTÁ TODA A LOUCURA DA SITUAÇÃO!
Ouro já era, na atualidade o
que importa é a interrelação entre os processos de
valorização/desvalorização, a cotação das bolsas. Existem os itens que
podem valorizar ou desvalorizar que é indiferente ao restante. Existem
os que afetam o conjunto, e existe também um conjunto que isoladamente
suas desvalorizações não afetariam o conjunto, mas quando simultâneas
geram uma quebradeira geral.
Falar em durabilidade material da
moeda parece irrelevante na atualidade, então vamos ao seu significado:
é procurar algo com padrão comportamental estável. A partir desse
padrão estável, o importante não é divisibilidade material em
cotas-parte, mas sim os comportamentos dos vários setores que terão na
estabilidade da referência um alicerce, não alicerce sólido, nem mesmo
um processo divísível... Como podemos exemplificar? digamos entender a
corrida de cavalos como um processo, as apostas descem e sobem, mas
foram divididas. No caso da dívida americana, não é que as apostas em
torno dela foram necessariamente divididas entre as pessoas, ela é a
referência e "moeda" sem ser dividida para circular. Ela só circula
como mais um item da bolsa, quem circula de verdade como moeda é o
dolar, em papel e metal.
E pensando bem, é também referência
comportamental. Assim como o ouro pressupunha dificuldade de encontrar,
mas também padrões de uso (os ricos usando ouro para ostentação), a
dívida americana, a grosso modo, pressupõe a continuidade do American
Way of Life.
American Way of Life... que ironia, tratam o Obama
como "comunista" e querem restaurar o orgulho branco despreocupado com
o meio ambiente, com as minorias, etc. Os republicanos, querem
restaurar American Way of Life destruindo o Way of Life. Não vejo
sentido nenhum nisso. Acusam o Obama de ser muito distribuidor de renda
(por querer uma saúde pública de qualidade) e simplesmente mandarão
milhões à miséria. Existem arremedos de teorias por aí, como a que diz
que dividindo o bolo antes de crescer, ninguém fica satisfeito. Ou os
que dizem que no gráfico satisfação x acesso, no capitalismo poucas
pessoas têm acesso mas estão satisfeitas com seus produtos, e que no
socialismo o aceso é geral mas a qualidade dos bens deixa a desejar. O
gráfico é desenhado de forma a passar a mensagem de quem não dá para
ter satisfação e acesso ao mesmo tempo. Bem, enfim, várias teorias. No
mundo especulativo se fala em teoria das profecias
auto-realizadas:
se todos estão otimistas, a bolsa vai bem, se todos estão pessimistas,
a bolsa vai mal. Teorias existem aos montes mas... não vejo como os
republicanos podem ser vistos como inteligentes ou ao menos sensatos.
O que escrevi sobre moeda e referência talvez seja apenas
mais um blá-bla-bla, a coisa que está vindo em nossa direção e é
assustador é... a queda dos EUA. Bem que gostaria de saber se a
Conceição Tavares tá fumando nervosa nesse momento...
Célio
guia de sobrevivencia crise mundial
para o pior cenário...
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
mensagem (re: parte 6)
(mensagem que enviei aos amigos, vou colocar aqui, até para organizar mentalmente.)
Olá pessoal!
Recebi uma mensagem da Angela e
fiquei pensando que de fato estava complexo de entender pois eram vários
temas abordados, eu mesmo fui reler e fiquei tonto, pretendo fazer um
texto resumindo a crítica ao capitalismo com um tema central. Na verdade
já escrevia com um tema central em mente, que é a questão da
"mobilidade" produtiva (é o termo que uso para me referir às
possibilidades de variação na produtividade e possibilidade de surgirem
novs produtos, novos concorrentes). O problema é que só para mim estava
claro que o tema central era esse e não aos leitores.
Quanto à minha proposição em si
também está avançando, estou bem animado. Outro problema dos meus
escritos é que eu ia pensando na minha ideia mas ao mesmo tempo
criticando o que já existe (o capitalismo), se eu separar a parte da
crítica e a parte da proposta ficará mais claro também. É bem capaz de
eu ter de revisar e corrigir algumas das coisas que prometi.
Com a parte 6, acho que já
praticamente terminei a crítica e posso me concentrar em expor o que é
meu, se for para resumir numa frase a parte crítica, eu diria que é uma
discussão da "mobilidade" produtiva, que vai desde o Egito (mobilidade
zero e punição "divina" a seus transgressores), passando pela
concorrência/monopólio (e toda discussão sobre o Estado), até chegar nos
derivativos (a era com a máscara da liberdade, mas de escolhas e
comportamentos já previstos e portanto dentro de um controle).
Já quanto à minha proposta, hoje
estou animado pois pensei numa possibilidade engraçada mas que faz
sentido e é futurístico: a inclusão de andróides, como personificação de
capital constante e geradores de mais-valia relativa (supondo que para
os andróides não acarreta esforço físico nem emocional trabalhar a mais,
é só apertar "turbo", que geram mais-valia relativa. Se tivessem de se
esforçar, estariam produzindo mais-valia absoluta). Claro que não
precisamos discutir se "andróides sonham com carneiros elétricos" (Do androids dream of eletric sheep? - conto que inspirou o filme Blade
Runner, um filme que não consigo explicar por que ainda não assisti).
Acho que está ficando bem
legal embora ainda falte responder algumas questões, como a pergunta se
os andróides receberão pagamento.
De qualquer forma, obrigado
pelos estímulos.
Célio
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
rascunho explanação econômica parte 6
Nota escrita depois de redigir essa parte:
A despeito da esquisita interrupção no meio do cálculo, a parte do texto ficou muito interessante, talvez seja tanto ou mais importante que o texto da parte 1.
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Consideração que me ocorreu:
Na verdade, apesar dos liberais dizerem que há reação direta entre a existência de concorrência e o bem-estar da sociedade, e relação entre a concorrência e esse bem estar não é numericamente relacionada. Elas são tão pouco relacionadas que, ao tentar ligar um número (e grau) X de concorrência (ou seja, o número de concorrentes e o quanto a rivalidade deles é voraz) ao bem-estar da sociedade (ou seja, o quanto essa presença da concorrência garante que haja produtos por um bom preço, qualidade e renovação tecnológica, ao mesmo tempo que emprega pessoas na produção), vejo que essa relação é tão difícil de se estabelecer como a relação entre a mais-valia e a garantia da existência do lucro para o capitalista.
Na verdade esses dois problemas:
A gente pode cruzar um com outro como na regra de 3 e teríamos:
A mais-valia, por estar relacionada à exploração tem a ver com o bem-estar. Se a exploração diminui o bem-estar, existem comunistas pregando o fim da exploração. Por outro lado, no socialismo real (ou SOREX - Socialismo Realmente Existente), dizem que o problema era que o capitalista ficava com a mais-valia, se a mais-valia fosse para o Estado, haveria bem-estar (daí os agricultores foram muito explorados na URSS). Como os social-democratas/terceira via dizem que é possível alcançar esse bem-estar equilibrando os interesses, dizem ser possível conciliar capitalistas e trabalhadores, serviços públicos e concorrência (os países europeus servem de exemplo). Como os neoliberais dizem que essa relação de bem-estar entre trabalhadores e empresários não tem nada a ver com pactos nem Estado e que simplesmente deixando o empresariado livre é que a sociedade alcança o bem-estar, eles exploram muito a dificuldade de provar a relação mais-valia x lucro na concorrência para dizerem que a mais-valia sequer é um conceito válido.
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6- ajuste dos cálculos partes 4 + 5
Podem dizer que o grande defeito do que mostramos no final da parte 5 é que não há sobras, tudo foi vendido, o que não acontece na realidade. Para sanar esse problema, podemos pegar as contas da parte 4.
Assim nem tudo será vendido/consumido. A única coisa certa para os produtores é que eles produzirão suas coisas, mas a garantia de venda é outra história. Aliás, pelo lado da produção também podem surgir os produtos defeituosos, e dependendo da produção elas são inevitáveis (por exemplo, para assar doces, muitas vezes a primeira fornada é descartada pois o forno ainda não atingiu a temperatura correta). Assim, os refugos da produção se assemelham à Mercadoria encalhada (Me) pois foi um esforço despendido sem proveito.
As certezas na circulação dependem muito. Já comentamos que serviços/produtos públicos são como consumo garantido, que itens essenciais serão consumidos sem estar estabelecido de qual produtor o consumidor irá comprar (a não ser no monopólio) e que quando aos supérfluos, é ainda mais certo se haverá consumou ou não (nesse caso, mesmo com o monopólio).
Por parte do produtor, Me significa que parte da força de trabalho (✍) foi desperdiçada na fabricação de sua mercadoria. Para o produtor, se o que ele conseguir vender (Mv,♦) não cobrir pelo menos seu gasto com ✍ e outros itens (ou seja, seu custo de produção k), ele terá prejuízo (Mv < k).
O interessante é que apesar de não haver garantia de que o que ele produz será consumido, há garantia de que ele (o produtor e sua equipe) vão consumir, pois ganharam seus salários (não vamos aqui falar de coisas complicadas como inflação e desvalorização salarial). Disso podemos estabelecer que no sistema como um todo, há certa garantia de que haverão consumidores, mesmo que para os participantes, produtores individuais, não haja garantia de que tal consumo global os beneficiará.
Desse ponto de vista é questionável a proposta neoliberal de flexibilizar os benefícios sociais conquistados pelos trabalhadores, pois isso mexer no consumo global. Aliás, acho que os keynesianos já fizeram essa crítica.
✍ representa o trabalho, ou seja, é a parte da v (força de trabalho) e m (mais-valia) de k (custos), mas já vimos que a relação entre m e Mv, Me não é direta e depende muito da situação.
Eu até estou com vontade de fazer uma grande equação com as coisas que já vimos até aqui, mas pelo jeito não é fácil, pois tem muitas partes que não têm relação direta uma com a outra Por exemplo o lucro de Mv > k > Me não tem relação com a mais valia se transformando em lucro, e nem o ✍ tem relação com ☻ quando individualmente analisado (embora tenha todo sentido globalmente).
Mas fazendo uma tentativa:
☻individual, com $ (salário a gastar) → ♣público + ♦produto essencial + ?♦outros (? porque não é determinável, assim, no nível individual)
✍1 → $ + ♦1
onde
✍ = v + m
♦1 representa a produção total que ✍1 produziu, é o M, e daí uma parte vai se vender, outra encalhar; M = Mv + Me
$ é o salário que será convertido em consumo, ☻
---------------interrupção-----------------
6.1 - considerações a cerca da tabela em si.
Desculpem fazer essa brusca interrupção, mas é que com a pausa para pensar me ocorreram ideias a cerca da tabela, que são mais interessantes do que fazer mais equações.
Bem, temos o lado esquerdo e o lado direito da tabela.
Do lado esquerdo (conta parte 5) , temos um esquema de equilíbrio, enquanto de do lado direito (conta parte 4) temos só lá em cima o equilíbrio (Mv = k), enquanto que as duas outras formas são de desequilíbrio.
[ou, de um outro ponto de vista, os 2 de cima, são de situações sustentáveis, enquanto que a última é a situação insustentável. Ou, ainda de outro ponto: só a do meio é o do "crescimento", o de cima é a "estagnação" e a de baixo é "retrocesso" e só a do meio seria a situação desejada]
Uma curiosidade interessante: embora vendo a tabela acima seja fácil identificar qual lado representa o equilíbrio e qual não, após a publicação do Livro 3 de O Capital, demorou umas décadas para se darem conta de que a teoria de Marx não era uma teoria do equilíbrio.
Assim, a lei do valor, na concepção marxiana da produção capitalista, é a lei reguladora da distribuição das forças produtivas, porém não é sua lei do equilíbrio. O que Schumpeter percebeu, ao contrário de tantos marxistas.
(do finado nesse ano de 2013, Jacob Gorender. pág 32 - Apresentação para O Capital. Coleção Economistas - Abril Cultural - OBS: dizem que um resumo dessa apresentação de Gorender foi parar na nova edição de O Capital da Boitempo)
(claro que da tabela, nenhum dos lados é a teoria marxista, foram improvisações minhas. Aliás, o do lado esquerdo, aposto que muitos antes de mim já montaram algo parecido)
6.2 Equilíbrio, ou, por que a Lei de oferta e procura (l-o-e-p) precisa da Teoria dos Jogos?
Dentro da teoria liberal, em que as pessoas são livres para venderem o que quiserem, parece que algum autor (não me lembro quem) elaborou o exercício de um sistema de leilão em que os participantes dão lances para definir o preço da compra e venda. Ao final do leilão, chegaram a preços satisfatórios para compra e venda e assim as transações são realizadas. Críticos desse exercício dizem que na prática não existe um leilão e os lances acontecem desordenadamente (e não de forma a vendas e compras se concretizarem após tudo estar civilizadamente acertado). A teoria dos Jogos de Nash (vi o filme e li o livro "uma mente brilhante") vem para contribuir para aproximar os lances humanos ao planejamento da economia.
como eu tava mais interessado no drama do que na teoria, não sei explicar a Teoria dos Jogos, mas é isso: Nash, que buscava descobrir o lado matematicamente racional de todo comportamento humano (e de outras tantas coisas assim, e é por isso que ele ficou paranóico e esquizofrêmico, ao tentar desvendar números ocultos que moviam o mundo, etc). A Teoria do Equilíbrio de Nash ajudou a formular leilões vantajosos tanto para o lado dos compradores quanto para o dos vendedores. O sistema de leilões mudou, parece que antes era um sistema de cada um dar um lance e só no final divulgar que lance ganhou e isso poderia ser frustrante para ambos os lados: podia acontecer do lance maior sequer atingir o mínimo desejado, ou do comprador achar que saiu no prejuízo sem ter ideia de quanto realmente valia o item comprado. Com a teoria dos jogos, os lances eram falados a medida que surgiam, e assim tanto o vendedor ficava satisfeito de ver que os lances iam crescendo quanto os compradores ficavam satisfeitos de ver o quanto o item leiloado realmente valia, vendo as apostas de seus concorrentes.
(Esse é um resumo do que aprendi, dizem que isso foi muito útil para privatizar bens públicos em épocas neoliberais, mas infelizmente para alguns itens de algumas nações foi tarde demais e tanto o país vendia a mixaria, quanto atraíam compradores que não sabiam administrar direito por sequer saber o quanto item ex-estatal valia e o quanto de trabalho daria para administrar).
Esse equilíbrio de tudo que é comprado ser vendido, é exatamente o que acontece na no lado esquerdo da nossa tabela. Só que os objetivos são diferentes: o exercício do leilão busca mostrar que após os lances chega-se à satisfação geral (ou seja, ou houve lucro ou pelo menos não houve prejuízo, algo semelhante ao que ocorre no alto e no meio da nossa tabela), e assim a um sistema sustentável amparado na l-o-e-p. Já o nosso sistema onde também tudo que é ofertado é vendido, e também temos sustentabilidade do sistema, ao invés de mostrar a sustentabilidade da l-o-e-p, quer mostrar que a sustentabilidade vem de proporções corretas do que é produzido.
É possível que o esquema de leilões dos defensores da l-o-e-p ficariam graficamente semelhante à minha tabela, mas por causa dos objetivos diferentes, os defensores da l-o-e-p ficariam com horror se pensarem sobre mim, o autor. Vão pensar "esse cara tem envolvimento com socialistas" e desprezariam as semelhanças e pensariam que a aplicação do meu esquema pode ser pretexto para firmar a necessidade do Estado prestador de serviços e cunhador de moedas, e que levaria à consumo obrigatório dos itens ("sobraram tantos bolos, fulano, hoje ao invés de você comer biscoito, será obrigado a comer bolos, pois estão sobrando!"). Vão até ter calafrios se pensarem por esse viés: podem imaginar que que não há consumo obrigatório só sobre o que sobrou, mas que todas as compras, ao invés de respeitarem a opinião do consumidor, serão "empurrar goela abaixo", remetendo às ficções científicas que imaginam regimes totalitários.
6.2 - breve comentário à diferença entre pressupostos e objetivos
Quando Marx expôs a teoria do dinheiro, na época dele havia mais mercadoria que dinheiro, de forma que uma parte da teoria serve justamente para mostrar como com menos dinheiro do que mercadorias, as trocas eram possíveis pois do dinheiro circulava de mão em mão, um dinheiro era usado para comprar, e o vendedor já usava esse dinheiro para outro negócio.
Hoje em dia, há mais dinheiro do que mercadorias. Por causa da especulação financeira, há mais dinheiro do que o valor de todas as mercadorias somadas, e os críticos do capitalismo mostram isso para mostrar a irracionalidade do sistema.
Assim, pensar que há menos dinheiro que mercadorias seria partir do pressuposto errado, mas isso não abala a teoria de Marx, pois o objetivo continua o mesmo. E um dos objetivos era justamente mostrar um sistema onde procura e oferta raramente batem, e isso provavelmente é aplicável à existência do dinheiro em si: a quantidade de mercadorias não bate com a quantidade de dinheiro. (Mas não deixa de ser simpática a ideia de recalibrar a quantidade de dinheiro e de mercadorias como proposta de repensar o sistema especulativo atual.)
No caso do dinheiro, ainda acho que os defensores da l-o-e-p, se adotassem ícones do pacman, chegariam à um esquema graficamente semelhante ao meu, e eles podem concordar que os objetivos "iniciais" convergem, como a compra que coincide com a venda (ou ,a vontade de satisfazer coincide com a satisfação) e a ssutenatbilidade do conjunto, mas vão divergir muito pensando em objetivos políticos.
6.3 - retomando à briga: lances pela l-o-e-p x predeterminação do que cada um compra/vende (que alguns entendem como liberdade x totalitarismo)
Uma correção: na verdade não defendo o totalitarismo, pois aind que não tenha visto os esquemas que Stalin elaborou, o que tive conhecimento parece que resultará num esquema muito diferente do meu. Os tais Planos Quinquenais pelo jeito eram muito complexos, enquanto que o meu é simples. aliás, eu quero chegar à satisfação dos participantes do sistema, e não à consumo goela abaixo.
Se pensarmos bem, o sistema da l-o-e-p também pode ser muito opressor, podendo também haver opressão de obrigação de comprar ou de vender por preços desagradáveis.
A tal liberdade de escolha, se pela Teoria de Jogos chega-se a lances "obrigatórios", não é muito diferente de um controle estatal.
(Isso até me fez lembrar de Matrix 2 e 3: sua escolha é realmente livre ou já foi prevista?)
No nosso esquema dinheiro, serviço público e biscoitos todo mundo teve. Defensores da l-o-e-p diriam que é muito desagradável ver o serviço público, mas eles provavelmente chegariam à resultados semelhantes do caso do biscoito: apesar de não ser obrigatório consumir, todos acabaram consumindo.
A pergunta é: os defensores da l-o-e-p chegariam mesmo à sustentabilidade se eles fossem pela utopia anti-estatal deles?
Por eles, mesmo os serviços como coleta de lixo seriam privatizados, então imagino que pelo esquema deles, existiria por somatória de lances individuais: a coleta de lixo acabaria sendo generarizada pois cada um dos participantes entendeu que a coleta é útil à ele mesmo. E por causa dos pedidos generalizados, também o fornecedor do serviço chegou à um preço atrativo a oferecer (seria mais caro recolher de pedidos isolados, recolher um lixo desse bairro, ir até o outro bairro recolher outro, um lixo distante do outro com custo de gasolina). Ou ainda, aplicando um pouco de Teoria dos Jogos, todos acabariam pedindo o serviço pois ninguém quer ficar para trás, e viram que ficariam para trás se o seu estabelecimento ficasse cheio de lixo.
Defensores de pensamentos assim, dizem que o Estado não precisa cuidar do meio ambiente, nem do social, nem da previdência, nem nada, pela liberdade dos lances individuais, o conjunto ia se ajustar a prover um conjunto de serviços, onde tal como no meu esquema, os produtores conseguiria consumir itens disponíveis no mercado pelo conjunto dos produtores (embora provavelmente fossem abominar a paridade consumidor-trabalhador, chegariam a um esquema onde os produtores de bolos, biscoitos, recolhimento de lixo, etc, conseguiriam usufruir desse conjunto de coisas produzidas).
6.4 - O famoso exemplo do Restaurante
Um dos mais famosos exemplos do porque cada um deve pagar sua conta é o do restaurante: eles dizem que no esquema atual, com a presença estatal, é como se você fosse ao restaurante, mas ao invés de cada um pagar sua conta, você está sustentando gente que come e deixa a conta para você. Dizem eles que quem paga a conta são as iniciativas privadas, e quem come sem pagar se aproveitando de você são os beneficiários do Bolsa-Família, os políticos, etc, etc.
Eu costumo contrargumentar que no restaurante tem vários serviços comuns ("públicos"), como banheiros, guardanapos, mesas, etc, e que se a lógica do cada um pagar sua conta imperasse em tudo, seria desastroso. Cobrar por cada acesso ao banheiro por exemplo seria como privatizar a previdência.
6.5 - derivativos - algo que me impressiona
Derivativos foram explicados nos filmes "Inside Job" (de Ferguson) e "Capitalismo -uma história de amor" (de Michael Moore). No de Michael Moore ficou meio explicado de qualquer jeito, mas no Inside Job foi melhor explicado.
De qualquer forma, o que fico impressionado, é que (colocando meu entendimento) derivativos representam não um investimento direto, mas a possibilidade de investimento. É uma forma de apostar numa coisa que não é certo que vá acontecer. Isso pelo jeito é matematicamente muito complexo (Moore fazia cara de quem não estava entendendo nada no documentário).
Mais impressionante é que derivativos foram criados pensando em proteger o sistema mas por seu uso abusivo, ajudaram a quebrar o sistema. Se entendi certo também, porque investir em derivativos era seguro, era apostar que poderia haver ou não investimento, mas que de qualquer forma, mesmo não sabendo direito no que se investia, se investia no pressuposto de que aquela grande empresa não iria quebrar. Quebrando as firmas que ninguém imaginava que iam quebrar, os derivativos também desabaram junto.
Derivativos me parecem um dos pontos mais altos da questão dos lances "livres" permitidos pela l-o-e-p, Teoria dos Jogos, etc. Contudo, quanto mais eles avançam nisso, mais temos previsão certa do comportamento, e o paradoxo é que aí , é como se tivéssemos mais controle.
Se tivéssemos mentes brilhantes que trabalharam nos derivativos pensando para o campo socialista, talvez tivéssemos resultados surpreendentes (como os russos eram inteligentes, provável que tivemos sim, mas como tudo aquilo de Planos Quinquenais se misturava com propaganda política, e outros problemas stalinistas, parece que não chegaram à nada tão sintético como derivativos.).
A despeito da esquisita interrupção no meio do cálculo, a parte do texto ficou muito interessante, talvez seja tanto ou mais importante que o texto da parte 1.
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Consideração que me ocorreu:
Na verdade, apesar dos liberais dizerem que há reação direta entre a existência de concorrência e o bem-estar da sociedade, e relação entre a concorrência e esse bem estar não é numericamente relacionada. Elas são tão pouco relacionadas que, ao tentar ligar um número (e grau) X de concorrência (ou seja, o número de concorrentes e o quanto a rivalidade deles é voraz) ao bem-estar da sociedade (ou seja, o quanto essa presença da concorrência garante que haja produtos por um bom preço, qualidade e renovação tecnológica, ao mesmo tempo que emprega pessoas na produção), vejo que essa relação é tão difícil de se estabelecer como a relação entre a mais-valia e a garantia da existência do lucro para o capitalista.
Na verdade esses dois problemas:
- concorrência x garantia de bem-estar
- mais-valia x garantia de lucro
A gente pode cruzar um com outro como na regra de 3 e teríamos:
- concorrência x garantia de lucro
- mais-valia x garantia de bem-estar
A mais-valia, por estar relacionada à exploração tem a ver com o bem-estar. Se a exploração diminui o bem-estar, existem comunistas pregando o fim da exploração. Por outro lado, no socialismo real (ou SOREX - Socialismo Realmente Existente), dizem que o problema era que o capitalista ficava com a mais-valia, se a mais-valia fosse para o Estado, haveria bem-estar (daí os agricultores foram muito explorados na URSS). Como os social-democratas/terceira via dizem que é possível alcançar esse bem-estar equilibrando os interesses, dizem ser possível conciliar capitalistas e trabalhadores, serviços públicos e concorrência (os países europeus servem de exemplo). Como os neoliberais dizem que essa relação de bem-estar entre trabalhadores e empresários não tem nada a ver com pactos nem Estado e que simplesmente deixando o empresariado livre é que a sociedade alcança o bem-estar, eles exploram muito a dificuldade de provar a relação mais-valia x lucro na concorrência para dizerem que a mais-valia sequer é um conceito válido.
---------------
6- ajuste dos cálculos partes 4 + 5
Podem dizer que o grande defeito do que mostramos no final da parte 5 é que não há sobras, tudo foi vendido, o que não acontece na realidade. Para sanar esse problema, podemos pegar as contas da parte 4.
| CONTA PARTE 5 | CONTAS PARTE 4 |
| ♥1 →☻1→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅓♦1, ⅕♦3 ↪✍1 → $ + ♦1 ♥2 →☻2→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅖♦3 ↪✍2 → $ + ♦2 ♥3 →☻3→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅔♦1 ↪✍3 → $ + ♦3 ♥4 →☻4→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅕♦3 ↪✍4 → $ + ♣ ♥5 →☻5→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅕♦3 ↪✍5 → $ + $ (♦5) | M = Mv + Me Mv = k l = 0 nem lucro nem prejuízo |
| Mv > k Me < k l = (+) positivo lucro |
|
| Mv < k Me ≥ k l = (-) negativo prejuízo |
Assim nem tudo será vendido/consumido. A única coisa certa para os produtores é que eles produzirão suas coisas, mas a garantia de venda é outra história. Aliás, pelo lado da produção também podem surgir os produtos defeituosos, e dependendo da produção elas são inevitáveis (por exemplo, para assar doces, muitas vezes a primeira fornada é descartada pois o forno ainda não atingiu a temperatura correta). Assim, os refugos da produção se assemelham à Mercadoria encalhada (Me) pois foi um esforço despendido sem proveito.
As certezas na circulação dependem muito. Já comentamos que serviços/produtos públicos são como consumo garantido, que itens essenciais serão consumidos sem estar estabelecido de qual produtor o consumidor irá comprar (a não ser no monopólio) e que quando aos supérfluos, é ainda mais certo se haverá consumou ou não (nesse caso, mesmo com o monopólio).
Por parte do produtor, Me significa que parte da força de trabalho (✍) foi desperdiçada na fabricação de sua mercadoria. Para o produtor, se o que ele conseguir vender (Mv,♦) não cobrir pelo menos seu gasto com ✍ e outros itens (ou seja, seu custo de produção k), ele terá prejuízo (Mv < k).
O interessante é que apesar de não haver garantia de que o que ele produz será consumido, há garantia de que ele (o produtor e sua equipe) vão consumir, pois ganharam seus salários (não vamos aqui falar de coisas complicadas como inflação e desvalorização salarial). Disso podemos estabelecer que no sistema como um todo, há certa garantia de que haverão consumidores, mesmo que para os participantes, produtores individuais, não haja garantia de que tal consumo global os beneficiará.
Desse ponto de vista é questionável a proposta neoliberal de flexibilizar os benefícios sociais conquistados pelos trabalhadores, pois isso mexer no consumo global. Aliás, acho que os keynesianos já fizeram essa crítica.
✍ representa o trabalho, ou seja, é a parte da v (força de trabalho) e m (mais-valia) de k (custos), mas já vimos que a relação entre m e Mv, Me não é direta e depende muito da situação.
Eu até estou com vontade de fazer uma grande equação com as coisas que já vimos até aqui, mas pelo jeito não é fácil, pois tem muitas partes que não têm relação direta uma com a outra Por exemplo o lucro de Mv > k > Me não tem relação com a mais valia se transformando em lucro, e nem o ✍ tem relação com ☻ quando individualmente analisado (embora tenha todo sentido globalmente).
Mas fazendo uma tentativa:
☻individual, com $ (salário a gastar) → ♣público + ♦produto essencial + ?♦outros (? porque não é determinável, assim, no nível individual)
✍1 → $ + ♦1
onde
✍ = v + m
♦1 representa a produção total que ✍1 produziu, é o M, e daí uma parte vai se vender, outra encalhar; M = Mv + Me
$ é o salário que será convertido em consumo, ☻
---------------interrupção-----------------
6.1 - considerações a cerca da tabela em si.
Desculpem fazer essa brusca interrupção, mas é que com a pausa para pensar me ocorreram ideias a cerca da tabela, que são mais interessantes do que fazer mais equações.
| CONTA PARTE 5 | CONTAS PARTE 4 |
| ♥1 →☻1→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅓♦1, ⅕♦3 ↪✍1 → $ + ♦1 ♥2 →☻2→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅖♦3 ↪✍2 → $ + ♦2 ♥3 →☻3→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅔♦1 ↪✍3 → $ + ♦3 ♥4 →☻4→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅕♦3 ↪✍4 → $ + ♣ ♥5 →☻5→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅕♦3 ↪✍5 → $ + $ (♦5) | M = Mv + Me Mv = k l = 0 nem lucro nem prejuízo |
| Mv > k Me < k l = (+) positivo lucro |
|
| Mv < k Me ≥ k l = (-) negativo prejuízo |
Bem, temos o lado esquerdo e o lado direito da tabela.
Do lado esquerdo (conta parte 5) , temos um esquema de equilíbrio, enquanto de do lado direito (conta parte 4) temos só lá em cima o equilíbrio (Mv = k), enquanto que as duas outras formas são de desequilíbrio.
[ou, de um outro ponto de vista, os 2 de cima, são de situações sustentáveis, enquanto que a última é a situação insustentável. Ou, ainda de outro ponto: só a do meio é o do "crescimento", o de cima é a "estagnação" e a de baixo é "retrocesso" e só a do meio seria a situação desejada]
Uma curiosidade interessante: embora vendo a tabela acima seja fácil identificar qual lado representa o equilíbrio e qual não, após a publicação do Livro 3 de O Capital, demorou umas décadas para se darem conta de que a teoria de Marx não era uma teoria do equilíbrio.
Assim, a lei do valor, na concepção marxiana da produção capitalista, é a lei reguladora da distribuição das forças produtivas, porém não é sua lei do equilíbrio. O que Schumpeter percebeu, ao contrário de tantos marxistas.
(do finado nesse ano de 2013, Jacob Gorender. pág 32 - Apresentação para O Capital. Coleção Economistas - Abril Cultural - OBS: dizem que um resumo dessa apresentação de Gorender foi parar na nova edição de O Capital da Boitempo)
(claro que da tabela, nenhum dos lados é a teoria marxista, foram improvisações minhas. Aliás, o do lado esquerdo, aposto que muitos antes de mim já montaram algo parecido)
6.2 Equilíbrio, ou, por que a Lei de oferta e procura (l-o-e-p) precisa da Teoria dos Jogos?
Dentro da teoria liberal, em que as pessoas são livres para venderem o que quiserem, parece que algum autor (não me lembro quem) elaborou o exercício de um sistema de leilão em que os participantes dão lances para definir o preço da compra e venda. Ao final do leilão, chegaram a preços satisfatórios para compra e venda e assim as transações são realizadas. Críticos desse exercício dizem que na prática não existe um leilão e os lances acontecem desordenadamente (e não de forma a vendas e compras se concretizarem após tudo estar civilizadamente acertado). A teoria dos Jogos de Nash (vi o filme e li o livro "uma mente brilhante") vem para contribuir para aproximar os lances humanos ao planejamento da economia.
como eu tava mais interessado no drama do que na teoria, não sei explicar a Teoria dos Jogos, mas é isso: Nash, que buscava descobrir o lado matematicamente racional de todo comportamento humano (e de outras tantas coisas assim, e é por isso que ele ficou paranóico e esquizofrêmico, ao tentar desvendar números ocultos que moviam o mundo, etc). A Teoria do Equilíbrio de Nash ajudou a formular leilões vantajosos tanto para o lado dos compradores quanto para o dos vendedores. O sistema de leilões mudou, parece que antes era um sistema de cada um dar um lance e só no final divulgar que lance ganhou e isso poderia ser frustrante para ambos os lados: podia acontecer do lance maior sequer atingir o mínimo desejado, ou do comprador achar que saiu no prejuízo sem ter ideia de quanto realmente valia o item comprado. Com a teoria dos jogos, os lances eram falados a medida que surgiam, e assim tanto o vendedor ficava satisfeito de ver que os lances iam crescendo quanto os compradores ficavam satisfeitos de ver o quanto o item leiloado realmente valia, vendo as apostas de seus concorrentes.
(Esse é um resumo do que aprendi, dizem que isso foi muito útil para privatizar bens públicos em épocas neoliberais, mas infelizmente para alguns itens de algumas nações foi tarde demais e tanto o país vendia a mixaria, quanto atraíam compradores que não sabiam administrar direito por sequer saber o quanto item ex-estatal valia e o quanto de trabalho daria para administrar).
Esse equilíbrio de tudo que é comprado ser vendido, é exatamente o que acontece na no lado esquerdo da nossa tabela. Só que os objetivos são diferentes: o exercício do leilão busca mostrar que após os lances chega-se à satisfação geral (ou seja, ou houve lucro ou pelo menos não houve prejuízo, algo semelhante ao que ocorre no alto e no meio da nossa tabela), e assim a um sistema sustentável amparado na l-o-e-p. Já o nosso sistema onde também tudo que é ofertado é vendido, e também temos sustentabilidade do sistema, ao invés de mostrar a sustentabilidade da l-o-e-p, quer mostrar que a sustentabilidade vem de proporções corretas do que é produzido.
É possível que o esquema de leilões dos defensores da l-o-e-p ficariam graficamente semelhante à minha tabela, mas por causa dos objetivos diferentes, os defensores da l-o-e-p ficariam com horror se pensarem sobre mim, o autor. Vão pensar "esse cara tem envolvimento com socialistas" e desprezariam as semelhanças e pensariam que a aplicação do meu esquema pode ser pretexto para firmar a necessidade do Estado prestador de serviços e cunhador de moedas, e que levaria à consumo obrigatório dos itens ("sobraram tantos bolos, fulano, hoje ao invés de você comer biscoito, será obrigado a comer bolos, pois estão sobrando!"). Vão até ter calafrios se pensarem por esse viés: podem imaginar que que não há consumo obrigatório só sobre o que sobrou, mas que todas as compras, ao invés de respeitarem a opinião do consumidor, serão "empurrar goela abaixo", remetendo às ficções científicas que imaginam regimes totalitários.
6.2 - breve comentário à diferença entre pressupostos e objetivos
Quando Marx expôs a teoria do dinheiro, na época dele havia mais mercadoria que dinheiro, de forma que uma parte da teoria serve justamente para mostrar como com menos dinheiro do que mercadorias, as trocas eram possíveis pois do dinheiro circulava de mão em mão, um dinheiro era usado para comprar, e o vendedor já usava esse dinheiro para outro negócio.
Hoje em dia, há mais dinheiro do que mercadorias. Por causa da especulação financeira, há mais dinheiro do que o valor de todas as mercadorias somadas, e os críticos do capitalismo mostram isso para mostrar a irracionalidade do sistema.
Assim, pensar que há menos dinheiro que mercadorias seria partir do pressuposto errado, mas isso não abala a teoria de Marx, pois o objetivo continua o mesmo. E um dos objetivos era justamente mostrar um sistema onde procura e oferta raramente batem, e isso provavelmente é aplicável à existência do dinheiro em si: a quantidade de mercadorias não bate com a quantidade de dinheiro. (Mas não deixa de ser simpática a ideia de recalibrar a quantidade de dinheiro e de mercadorias como proposta de repensar o sistema especulativo atual.)
No caso do dinheiro, ainda acho que os defensores da l-o-e-p, se adotassem ícones do pacman, chegariam à um esquema graficamente semelhante ao meu, e eles podem concordar que os objetivos "iniciais" convergem, como a compra que coincide com a venda (ou ,a vontade de satisfazer coincide com a satisfação) e a ssutenatbilidade do conjunto, mas vão divergir muito pensando em objetivos políticos.
6.3 - retomando à briga: lances pela l-o-e-p x predeterminação do que cada um compra/vende (que alguns entendem como liberdade x totalitarismo)
Uma correção: na verdade não defendo o totalitarismo, pois aind que não tenha visto os esquemas que Stalin elaborou, o que tive conhecimento parece que resultará num esquema muito diferente do meu. Os tais Planos Quinquenais pelo jeito eram muito complexos, enquanto que o meu é simples. aliás, eu quero chegar à satisfação dos participantes do sistema, e não à consumo goela abaixo.
Se pensarmos bem, o sistema da l-o-e-p também pode ser muito opressor, podendo também haver opressão de obrigação de comprar ou de vender por preços desagradáveis.
A tal liberdade de escolha, se pela Teoria de Jogos chega-se a lances "obrigatórios", não é muito diferente de um controle estatal.
(Isso até me fez lembrar de Matrix 2 e 3: sua escolha é realmente livre ou já foi prevista?)
No nosso esquema dinheiro, serviço público e biscoitos todo mundo teve. Defensores da l-o-e-p diriam que é muito desagradável ver o serviço público, mas eles provavelmente chegariam à resultados semelhantes do caso do biscoito: apesar de não ser obrigatório consumir, todos acabaram consumindo.
A pergunta é: os defensores da l-o-e-p chegariam mesmo à sustentabilidade se eles fossem pela utopia anti-estatal deles?
Por eles, mesmo os serviços como coleta de lixo seriam privatizados, então imagino que pelo esquema deles, existiria por somatória de lances individuais: a coleta de lixo acabaria sendo generarizada pois cada um dos participantes entendeu que a coleta é útil à ele mesmo. E por causa dos pedidos generalizados, também o fornecedor do serviço chegou à um preço atrativo a oferecer (seria mais caro recolher de pedidos isolados, recolher um lixo desse bairro, ir até o outro bairro recolher outro, um lixo distante do outro com custo de gasolina). Ou ainda, aplicando um pouco de Teoria dos Jogos, todos acabariam pedindo o serviço pois ninguém quer ficar para trás, e viram que ficariam para trás se o seu estabelecimento ficasse cheio de lixo.
Defensores de pensamentos assim, dizem que o Estado não precisa cuidar do meio ambiente, nem do social, nem da previdência, nem nada, pela liberdade dos lances individuais, o conjunto ia se ajustar a prover um conjunto de serviços, onde tal como no meu esquema, os produtores conseguiria consumir itens disponíveis no mercado pelo conjunto dos produtores (embora provavelmente fossem abominar a paridade consumidor-trabalhador, chegariam a um esquema onde os produtores de bolos, biscoitos, recolhimento de lixo, etc, conseguiriam usufruir desse conjunto de coisas produzidas).
6.4 - O famoso exemplo do Restaurante
Um dos mais famosos exemplos do porque cada um deve pagar sua conta é o do restaurante: eles dizem que no esquema atual, com a presença estatal, é como se você fosse ao restaurante, mas ao invés de cada um pagar sua conta, você está sustentando gente que come e deixa a conta para você. Dizem eles que quem paga a conta são as iniciativas privadas, e quem come sem pagar se aproveitando de você são os beneficiários do Bolsa-Família, os políticos, etc, etc.
Eu costumo contrargumentar que no restaurante tem vários serviços comuns ("públicos"), como banheiros, guardanapos, mesas, etc, e que se a lógica do cada um pagar sua conta imperasse em tudo, seria desastroso. Cobrar por cada acesso ao banheiro por exemplo seria como privatizar a previdência.
6.5 - derivativos - algo que me impressiona
Derivativos foram explicados nos filmes "Inside Job" (de Ferguson) e "Capitalismo -uma história de amor" (de Michael Moore). No de Michael Moore ficou meio explicado de qualquer jeito, mas no Inside Job foi melhor explicado.
De qualquer forma, o que fico impressionado, é que (colocando meu entendimento) derivativos representam não um investimento direto, mas a possibilidade de investimento. É uma forma de apostar numa coisa que não é certo que vá acontecer. Isso pelo jeito é matematicamente muito complexo (Moore fazia cara de quem não estava entendendo nada no documentário).
Mais impressionante é que derivativos foram criados pensando em proteger o sistema mas por seu uso abusivo, ajudaram a quebrar o sistema. Se entendi certo também, porque investir em derivativos era seguro, era apostar que poderia haver ou não investimento, mas que de qualquer forma, mesmo não sabendo direito no que se investia, se investia no pressuposto de que aquela grande empresa não iria quebrar. Quebrando as firmas que ninguém imaginava que iam quebrar, os derivativos também desabaram junto.
Derivativos me parecem um dos pontos mais altos da questão dos lances "livres" permitidos pela l-o-e-p, Teoria dos Jogos, etc. Contudo, quanto mais eles avançam nisso, mais temos previsão certa do comportamento, e o paradoxo é que aí , é como se tivéssemos mais controle.
Se tivéssemos mentes brilhantes que trabalharam nos derivativos pensando para o campo socialista, talvez tivéssemos resultados surpreendentes (como os russos eram inteligentes, provável que tivemos sim, mas como tudo aquilo de Planos Quinquenais se misturava com propaganda política, e outros problemas stalinistas, parece que não chegaram à nada tão sintético como derivativos.).
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
rascunho: explanação econômica parte 5
Sobre o que eu disse no final da parte 4, me ocorreu que talvez os marginalistas no começo também sofreram para demonstrar a proposta deles. Talvez até a dinâmica ser visualizada em movimento, era uma coisa com falhas que desafiou o valor-trabalho de Adam Smith. Só que tendo sido compreendido, foi tão aceita que hoje em dia os livros de administração (minha irmão fez ADM na USP) nem contam que havia uma contradição entre a ideia de Smith e o marginalismo (aliás minha irmão nem sabia desses termos "marginalismo", "neoclássicos", foi passado a ela como se as teorias econômico-administrativas atuais tivessem se desenvolvido sem conflitos, uma coisa linear para formar "a economia", se é que vocês me entendem).
Me esforçarei para que vocês entendam a dinâmica da minha proposta, pois imagino que quando conseguirem visualiza-la em movimento, a partir desse movimento será possível até mesmo corrigir as falhas iniciais.
5 -a natureza do que é oferecido às pessoas
Estamos falando da relação entre coisas animadas e inanimadas, que poderia representar respectivamente por ♣ e ♦.
Então como se estabelecem as relações entre
♣ (animadas) e ♦(inanimadas) ?
Marx diz que se as coisas forem encaradas enquanto valores-de-uso, não é possível haver troca ente elas, pois cada coisa é única.
Para que seja possível a troca entre as coisas por $, Smith, Ricardo e Marx foram pelo caminho de estabelecer que o que há de comum entre eles é o trabalho (valor-trabalho). Já os marginalistas falam em utilidade marginal,e de qualquer forma, o que todos querem é
♣ ↔ $ ↔ ♦
Mas o $ (dinheiro) apesar de servir de intercâmcio, ela mesma é uma coisa ♦(inanimada).
$ = ♦
Até agora nunca tinha ligado muito quando Marx falava da natureza do $, mas agora acho importante para entender como ela é conversível.
5.1 As trocas e divisão consumidor / trabalhador
As trocas entre mercadorias e serviços são feitas mais ou menos assim:
♣ ↔ $ ↔ ♦
$ = dinheiro-trabalho
♦ = mercadoria que contém apenas o equivalente a v (custo do capital variável)
♣ = serviços prestados, o que também configura mercadoria. Mas no nosso esquema pode ser serviço público.
Não podemos esquecer que existem trocas por causa da presença do
♥ = ser humano (que no famoso esquema representei por boneco de palito)
♥ → $ (ser humano recebendo seu salário)
$ → ♦ (troca do dinheiro por mercadoria)
$ → ♣ (troca do dinheiro por serviços)
♥ → $ → ♦/♣
Lembrando que
♥ →☻
↪✍
é a representação em símbolos do desenho:
De forma que
---na circulação---♥ →☻→ $ → ♦/♣ (consumidor compra)
---na produção----↪✍ → $ (trabalhador recebe salário) + ♦/♣ (fruto do trabalho)
O que eu disse da paridade consumidor/trabalhador (✍ /☻) vem disso.
Isso não quer dizer que o trabalhador precise consumir o que produz, nem que cada $ represente apenas 1 moeda que deve ser trocada por 1 mercadoria. $ pode representar um conjunto de notas e moedas (digamos 15 moedas), e a mercadoria não ser única, mas representar 15 unidades. Aliás a mercadoria pode variar muito de forma, e podem 15 biscoitos equivalerem a 3 bolos (ou seja, numa troca direta 5 biscoitos = 1 bolo).
Ex:
♥1 produz biscoitos
♥2 produz bolos
♥3 produz suco
♥1 →☻→ $ → 1 bolo, 5 biscoitos, 1 copo suco
↪✍ → $ 15 moedas (salário) + ♦ em foma de biscoitos
♥2 →☻→ $ → 1 bolo, 2 copos de suco
↪✍ → $ 15 moedas (salário) + ♦ em foma de bolos
♥3 →☻→ $ → 1 bolo, 10 biscoitos
↪✍ → $ 15 moedas (salário) + ♦ em foma de suco
Dessa forma, não só não é preciso consumir a própria produção como há liberdade de escolha do que consumir. E também ♥ não precisa ser uma pessoa, pode ser uma equipe de pessoas. Suas remunerações também podem ser diferentes, pois nem todo serviço requer igual tempo de trabalho. É válida a antiga observação de Adam Smith: trabalhos iguais, remuneração igual (ignorada no capitalismo atual, principalmente pelas transnacionais).
Podem até reclamar que pelo exemplo que dei, embora haja escolha, as pessoas tiveram de consumir o que produziram e que talvez tenham até sido obrigadas a consumir para não deixar sobra (Me = 0), mas mais para frente as sobras serão possíveis também.
Colocando de forma mais matemática:
♥1 →☻1→ $ → ⅓♦1, ⅓♦2, ⅓♦3
↪✍1 → $ + ♦1
♥2 →☻2→ $ → ⅓♦1, ⅔♦3
↪✍2 → $ + ♦2
♥3 →☻3→ $ → ⅓♦1, ⅔♦2,
↪✍3 → $ + ♦3
5.2 Serviços públicos
Se ♥3, ao invés de fazer suco, presta um serviço público, como recolhimento de lixo, temos de excluir o suco e contar que ele produziu um serviço, que todos irão consumir/usufrui. Mas se não fosse um serviço tão tipicamente estatal, seria um serviço-mercadoria que fica opcional para ser usufruído ou não. Uma das vantagens do nosso esquema é que acaba com a dicotomia entre o que é oferecido pelo Estado ou por empresas privadas. Isso é bastante saudável já que essa discussão tem produzido muita injustiça (dão pouco valor ao que o Estado oferece). Neoliberais também querem acabar com essa dicotomia, mas eliminando o que é estatal e tudo teria de ter preço (e muitas vezes são falsas as promessas de que o que passa a ser cobrado aumenta de qualidade).
Ao invés de considerar que todos vão consumir bolo, é mais certo que todos vão consumir/usufruir do serviço prestado por ♥3 (recolhimento de lixo, representado por ♣ por se tratar de algo animado):
♥1 →☻1→ $ → ⅓♣, ⅔♦2
↪✍1 → $ + ♦1
♥2 →☻2→ $ → ⅓♣, ⅔♦1
↪✍2 → $ + ♦2
♥3 →☻3→ $ → ⅓♣, ⅓♦1, ⅓♦2
↪✍3 → $ + ♣
Na verdade é meio gozado como tem liberais imaginando uma utopia onde não existam os serviços estatais. Talvez eles imaginem casas do futuro onde ao invés de recolhimento de lixo, tem incineradores/recicladores portáteis, ou ainda carros voadores que não precisem de governos cuidando do asfalto, etc.
Por excluirmos o suco e introduzido a coleta de lixo, fica parecendo que muitos vão preferir menos serviços públicos e mais mercadorias. Temos assim a volta do debate Estado x iniciativa privada, aqui ela difere do debate bem-estar social x neoliberalismo pois tal debate se refere ao âmbito macro, é uma crítica ao gasto com luxo dos políticos, burocracia e impostos excessivos, sendo que dizem que com menos impostos e burocracia, a iniciativa privada conseguiria atender melhor os consumidores. Aqui, embora os ecos desse debate macro possam ecoar, estamos falando do âmbito micro. Não estamos falando de gastos luxuosos dos políticos nem de burocracia. Como no nosso esquema a mercadoria se assemelha ao serviço, também não há diferença entre gasto com impostos e gastos com compra.
Pode ser que isso estimule a vigilância dos cidadãos que estarão mais conscientes que ao escolherem ter um serviço público, no nosso esquema isso representa diretamente a exclusão de uma mercadoria (enquanto que a relação entre impostos e iniciativa privada não é tão óbvia). Como o destino dos impostos fica menos nebuloso, creio que a relação dos cidadãos com os serviços pode melhorar pois os cidadãos estarão mais conscientes, nem indiferentes nem exigentes demais em relação ao que é público.
5.3 o que o Estado oferece = comportamento previsível
Em relação às mercadorias, liberais poderiam dizer que em teoria, com a concorrência não há garantia de algo será comprado, principalmente se não é oferecido garantia de qualidade aos consumidores. Criticam o Estado dizendo que o monopólio cria situações em que sendo o Estado único provedor do serviço, a qualidade do serviço pode ser ruim. Eles vêem com mais simpatia as licitações que o Estado faz, em que várias empresas concorrem com suas propostas e a empresa ganhadora acima um contrato e durante aquele período fica sendo a provedora daquele serviço ou fornecedora do produto que será adquirida pelo Estado e repassada aos cidadãos. Dependendo de que serviço/produto há críticas pontuais de que seria melhor a concorrência permanente e não apenas no momento da licitação, mas de qualquer forma o x da questão é que dessa forma, o comportamento do consumidor fica previsível (pois eles são "obrigados" a consumir) e isso se refere na produção também, pois havendo essa estabilidade/previsibilidade, o planejamento de suas atividades também fica mais fácil.
Já que eliminamos a diferença entre o que o privado e o público oferecem, a pergunta é se há previsibilidade também no que a iniciativa privada oferece. As considerações são de que:
Essas coisas são de conhecimento dos economistas/administradores e minha irmã comentou que essas coisas só complementam e não desafiam a l-o-e-p (ou seja, tentar prever o comportamento não desafia a "regra" de que os produtos devem se submeter à procura para medir a receptividade por parte dos consumidores).
Uma outra abordagem é pela natureza do serviço/produto. Dependendo da natureza, elas têm de ser oferecidas pelo Estado (e daí entram na situação estável do monopólio) e outras são de itens essenciais (como a cesta básica) que se sabem que serão compradas (até com previsibilidade de que os consumidores de classe baixa tentarão escolher os itens mais baratos e os ricos os itens mais refinados), e não correm o risco de não serem comprados, como acontece com os supérfluos.
Esse assunto tem relação com o que coloquei nos pressupostos de que o comportamento dos consumidores não será pelos preços, e de fato ainda não consigo preencher a lacuna de explicações que faltam... mas o lado bom é que na hora que consegui introduzir a concorrência benéfica (aquela que traz qualidade aos produtos), ao mesmo tempo consegui introduzir a possibilidade dos serviços públicos ganharem concorrência e não precisar da determinação do monopólio. Isso mostrarei mais tarde.
[OBS: esse papo de concorrência e qualidade me lembrou que certa vez comi X-salada de R$ 0,50 (faz mais de 10 anos atrás) tinha os requisitos mínimos para justificar a nomenclatura: tinha uma fatia fina de hambúrguer, vinagrete para justificar o "salada" e queijo ralado para justificar o "X". Então no ramo de hambúrgueres, a concorrência cria subdivisões para cada faixa de consumidor e elas ficam estáveis também: para os consumidores de rua têm os sanduíches de baixa qualidade e os vendedores de rua conseguem ter previsibilidade da sua clientela. As lanchonetes conseguem também ter estabilidade oferecendo os de qualidade média, a novidade (paulista) talvez fique nos hambúrgueres gourmet, onde quem oferece mais qualidade conquistará e ainda não se estabilizou a quais casas se consolidaram nesse segmento.]
5.4 Quem fabrica $
Está faltando a produção do $. Nesse ponto, relembremos que $ é uma mercadoria especial. Como na nossa proposta falamos de dinheiro-trabalho e não dinheiro-mercadoria, a dinâmica é um pouco diferente mas mesmo assim é necessário uma mercadoria para representar o dinheiro. Precisamos de ♦(algo inanimado) para representar $, pode ser metal para fabricar moedas, ou papel para fabricar cédulas (ou para fabricar bilhetes de teatro, talvez observasse Marx irônico). Mas e se para certificar o trabalho não fosse necessário moedas nem células e sim apenas bater o ponto? Nesse caso, precisamos de pessoas que vão fazer a manutenção dos cartões-ponto, ou seja é um serviço. Assim ao invés de $ = ♦ teremos $ = ♣. Mas e se não temos nem cartão ponto e estamos dentro de uma nave espacial como imaginamos na parte 3? Aí também temos um serviço, como do computador HAL que estará cuidando para que tudo se mantenha conforme os planos da missão. Mesmo sendo HAL uma máquina, podemos considerar seus serviços como algo animado, $ = ♣.
Assim, quando falamos de $, não estamos falando apenas da moeda em si, estamos falando de um sistema que cuida de garantir que a troca ocorra de forma tranquila, tal como o Bando Central que emite cédulas novas e recolhe as velhas. Eles também criam cédulas mais seguras para evitar falsificação. Provavelmente se lhes fosse permitido um gasto ilimitado, não só teríamos cédulas impossíveis de falsificar, como talvez até mesmo difíceis de roubar pois cada cédula teria GPS. Daí que a boa pergunta é: o quanto de dinheiro pode-se investir no Banco Central? (o que soa engraçado: o quanto de dinheiro a sociedade pode gastar com o fabricante do dinheiro?)
A discussão do custo do dinheiro deve ter sido interessante na época de Proudhon. Eles viu como uma novidade boa o dinheiro de papel. Proudhon falava em dinheiro de papel e em crédito gratuito, vendo Proudhon com preconceito, isso até pode soar como propostas irresponsáveis de confiar nas pessoas sem pensar na sustentabilidade do conjunto, não fui muito na fonte de Proudhon, mas encontrei sinais de que não era tão irresponsável assim.
De qualquer forma, o papel em relação ao ouro logo nos faz perguntar: levando em conta que as nações tinham muito trabalho para conseguir ouro, tendo de fazer escavações em locais longínquos, fazendo guerras para conseguir ouro de outra nação, etc, que novidade o dinheiro de papel traz considerando-o como objeto menos custoso que o ouro?
A resposta é que se é menos custoso, essa troca de uma mercadoria-referência para outra é benefíco ao sistema pois o custo que era necessário para manter essa mercadoria-referência pode ser repassada para outra atividade.
Na verdade nem precisamos trocar de material: se um reino estabelecer que a partir dali suas moedas terão furo no meio (como a moeda de 5 e 50 ienes no Japão), economiza-se metal e mais moedas podem ser cunhadas. o menor custo foi convertido em mais moedas.
Esse custo menor pode ser convertido em outras coisas. Se ao adotar novos materiais/tecnologia menos trabalho humano é necessário, esse trabalho humano economizado pode ser convertido em algo mais útil que fazer mais moedas.
Daí que se é possível liberar parte das pessoas e verbas que antes eram usadas para fazer moedas no Banco Central, o governo pode realocar esses funcionários e recursos em outro serviço para a população (o termo burocrático para realocação de pessoas é "desvio de função").
E essa é uma forma de
$ → ♣
sem intermediação do consumidor/cidadão. Ou melhor: pode aparecer como proposta de realocação para o cidadão aprovar num plebiscito, já que no meu esquema esses fluxos são mais fáceis de entender por não envolverem a burocracia.
O esquema inicial, incluindo o $ ficaria assim:
♥1 →☻1→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅓♦1, ⅕♦3
↪✍1 → $ + ♦1
♥2 →☻2→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅖♦3
↪✍2 → $ + ♦2 (=15 biscoitos)
♥3 →☻3→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅔♦1
↪✍3 → $ + ♦3
♥4 →☻4→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅕♦3
↪✍4 → $ + ♣
♥5 →☻5→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅕♦3
↪✍5 → $ (salário próprio) + $ (♦/♣5)
As 3 coisas que todos têm acesso são o dinheiro ($), o serviço público (♣) e 3 biscoitos (da produção total de 15 biscoitos por ♥2), sendo que esse último item chega às pessoas por escolha pessoal da compra e coincidiu de todos quererem.
Me esforçarei para que vocês entendam a dinâmica da minha proposta, pois imagino que quando conseguirem visualiza-la em movimento, a partir desse movimento será possível até mesmo corrigir as falhas iniciais.
5 -a natureza do que é oferecido às pessoas
Estamos falando da relação entre coisas animadas e inanimadas, que poderia representar respectivamente por ♣ e ♦.
Então como se estabelecem as relações entre
♣ (animadas) e ♦(inanimadas) ?
Marx diz que se as coisas forem encaradas enquanto valores-de-uso, não é possível haver troca ente elas, pois cada coisa é única.
Para que seja possível a troca entre as coisas por $, Smith, Ricardo e Marx foram pelo caminho de estabelecer que o que há de comum entre eles é o trabalho (valor-trabalho). Já os marginalistas falam em utilidade marginal,e de qualquer forma, o que todos querem é
♣ ↔ $ ↔ ♦
Mas o $ (dinheiro) apesar de servir de intercâmcio, ela mesma é uma coisa ♦(inanimada).
$ = ♦
Até agora nunca tinha ligado muito quando Marx falava da natureza do $, mas agora acho importante para entender como ela é conversível.
5.1 As trocas e divisão consumidor / trabalhador
As trocas entre mercadorias e serviços são feitas mais ou menos assim:
♣ ↔ $ ↔ ♦
$ = dinheiro-trabalho
♦ = mercadoria que contém apenas o equivalente a v (custo do capital variável)
♣ = serviços prestados, o que também configura mercadoria. Mas no nosso esquema pode ser serviço público.
Não podemos esquecer que existem trocas por causa da presença do
♥ = ser humano (que no famoso esquema representei por boneco de palito)
♥ → $ (ser humano recebendo seu salário)
$ → ♦ (troca do dinheiro por mercadoria)
$ → ♣ (troca do dinheiro por serviços)
♥ → $ → ♦/♣
Lembrando que
♥ →☻
↪✍
é a representação em símbolos do desenho:
De forma que
---na circulação---♥ →☻→ $ → ♦/♣ (consumidor compra)
---na produção----↪✍ → $ (trabalhador recebe salário) + ♦/♣ (fruto do trabalho)
O que eu disse da paridade consumidor/trabalhador (✍ /☻) vem disso.
Isso não quer dizer que o trabalhador precise consumir o que produz, nem que cada $ represente apenas 1 moeda que deve ser trocada por 1 mercadoria. $ pode representar um conjunto de notas e moedas (digamos 15 moedas), e a mercadoria não ser única, mas representar 15 unidades. Aliás a mercadoria pode variar muito de forma, e podem 15 biscoitos equivalerem a 3 bolos (ou seja, numa troca direta 5 biscoitos = 1 bolo).
Ex:
♥1 produz biscoitos
♥2 produz bolos
♥3 produz suco
♥1 →☻→ $ → 1 bolo, 5 biscoitos, 1 copo suco
↪✍ → $ 15 moedas (salário) + ♦ em foma de biscoitos
♥2 →☻→ $ → 1 bolo, 2 copos de suco
↪✍ → $ 15 moedas (salário) + ♦ em foma de bolos
♥3 →☻→ $ → 1 bolo, 10 biscoitos
↪✍ → $ 15 moedas (salário) + ♦ em foma de suco
Dessa forma, não só não é preciso consumir a própria produção como há liberdade de escolha do que consumir. E também ♥ não precisa ser uma pessoa, pode ser uma equipe de pessoas. Suas remunerações também podem ser diferentes, pois nem todo serviço requer igual tempo de trabalho. É válida a antiga observação de Adam Smith: trabalhos iguais, remuneração igual (ignorada no capitalismo atual, principalmente pelas transnacionais).
Podem até reclamar que pelo exemplo que dei, embora haja escolha, as pessoas tiveram de consumir o que produziram e que talvez tenham até sido obrigadas a consumir para não deixar sobra (Me = 0), mas mais para frente as sobras serão possíveis também.
Colocando de forma mais matemática:
♥1 →☻1→ $ → ⅓♦1, ⅓♦2, ⅓♦3
↪✍1 → $ + ♦1
♥2 →☻2→ $ → ⅓♦1, ⅔♦3
↪✍2 → $ + ♦2
♥3 →☻3→ $ → ⅓♦1, ⅔♦2,
↪✍3 → $ + ♦3
5.2 Serviços públicos
Se ♥3, ao invés de fazer suco, presta um serviço público, como recolhimento de lixo, temos de excluir o suco e contar que ele produziu um serviço, que todos irão consumir/usufrui. Mas se não fosse um serviço tão tipicamente estatal, seria um serviço-mercadoria que fica opcional para ser usufruído ou não. Uma das vantagens do nosso esquema é que acaba com a dicotomia entre o que é oferecido pelo Estado ou por empresas privadas. Isso é bastante saudável já que essa discussão tem produzido muita injustiça (dão pouco valor ao que o Estado oferece). Neoliberais também querem acabar com essa dicotomia, mas eliminando o que é estatal e tudo teria de ter preço (e muitas vezes são falsas as promessas de que o que passa a ser cobrado aumenta de qualidade).
Ao invés de considerar que todos vão consumir bolo, é mais certo que todos vão consumir/usufruir do serviço prestado por ♥3 (recolhimento de lixo, representado por ♣ por se tratar de algo animado):
♥1 →☻1→ $ → ⅓♣, ⅔♦2
↪✍1 → $ + ♦1
♥2 →☻2→ $ → ⅓♣, ⅔♦1
↪✍2 → $ + ♦2
♥3 →☻3→ $ → ⅓♣, ⅓♦1, ⅓♦2
↪✍3 → $ + ♣
Na verdade é meio gozado como tem liberais imaginando uma utopia onde não existam os serviços estatais. Talvez eles imaginem casas do futuro onde ao invés de recolhimento de lixo, tem incineradores/recicladores portáteis, ou ainda carros voadores que não precisem de governos cuidando do asfalto, etc.
Por excluirmos o suco e introduzido a coleta de lixo, fica parecendo que muitos vão preferir menos serviços públicos e mais mercadorias. Temos assim a volta do debate Estado x iniciativa privada, aqui ela difere do debate bem-estar social x neoliberalismo pois tal debate se refere ao âmbito macro, é uma crítica ao gasto com luxo dos políticos, burocracia e impostos excessivos, sendo que dizem que com menos impostos e burocracia, a iniciativa privada conseguiria atender melhor os consumidores. Aqui, embora os ecos desse debate macro possam ecoar, estamos falando do âmbito micro. Não estamos falando de gastos luxuosos dos políticos nem de burocracia. Como no nosso esquema a mercadoria se assemelha ao serviço, também não há diferença entre gasto com impostos e gastos com compra.
Pode ser que isso estimule a vigilância dos cidadãos que estarão mais conscientes que ao escolherem ter um serviço público, no nosso esquema isso representa diretamente a exclusão de uma mercadoria (enquanto que a relação entre impostos e iniciativa privada não é tão óbvia). Como o destino dos impostos fica menos nebuloso, creio que a relação dos cidadãos com os serviços pode melhorar pois os cidadãos estarão mais conscientes, nem indiferentes nem exigentes demais em relação ao que é público.
5.3 o que o Estado oferece = comportamento previsível
Em relação às mercadorias, liberais poderiam dizer que em teoria, com a concorrência não há garantia de algo será comprado, principalmente se não é oferecido garantia de qualidade aos consumidores. Criticam o Estado dizendo que o monopólio cria situações em que sendo o Estado único provedor do serviço, a qualidade do serviço pode ser ruim. Eles vêem com mais simpatia as licitações que o Estado faz, em que várias empresas concorrem com suas propostas e a empresa ganhadora acima um contrato e durante aquele período fica sendo a provedora daquele serviço ou fornecedora do produto que será adquirida pelo Estado e repassada aos cidadãos. Dependendo de que serviço/produto há críticas pontuais de que seria melhor a concorrência permanente e não apenas no momento da licitação, mas de qualquer forma o x da questão é que dessa forma, o comportamento do consumidor fica previsível (pois eles são "obrigados" a consumir) e isso se refere na produção também, pois havendo essa estabilidade/previsibilidade, o planejamento de suas atividades também fica mais fácil.
Já que eliminamos a diferença entre o que o privado e o público oferecem, a pergunta é se há previsibilidade também no que a iniciativa privada oferece. As considerações são de que:
- havendo monopólio há muita previsibilidade, mesmo sem garantia de qualidade
- há razoável previsibilidade quando o setor tem empresas consolidadas e não parece que chegarão novos concorrentes. A qualidade pode variar, de melhor a pior, mas se os consumidores estão acostumados a pagar mais caro pelo melhor e mais barato pelo pior, e esse comportamento está consolidado, a previsibilidade continua bastante razoável e as empresas podem investir em outras atividades (ou na melhoria tecnológica da mesma atividade) sem o medo de cometerem o erro de terem gasto um dinheiro que deviam ter deixado na atividade principal. Por exemplo o fabricante de laticínios pode pensar em entrar no ramo de biscoitos, ou investir na Bolsa, sem temer que isso comprometa a sua posição no ramo de iogurtes.
- a previsibilidade é prejudicada quando o setor é novo e nem as empresas, nem o comportamento dos consumidores estão consolidados. Quanto à qualidade, ela pode ficar entre 2 extremos: a qualidade é alta se nesse ramo esses muitos concorrentes oferecem alta qualidade e quem oferece o de menor qualidade logo é eliminado do mercado. Mas se todos costumam oferecer qualidade baixa, quem investe mais e tenta oferecer algo de maior qualidade por preço maior é que está se arriscando.
Essas coisas são de conhecimento dos economistas/administradores e minha irmã comentou que essas coisas só complementam e não desafiam a l-o-e-p (ou seja, tentar prever o comportamento não desafia a "regra" de que os produtos devem se submeter à procura para medir a receptividade por parte dos consumidores).
Uma outra abordagem é pela natureza do serviço/produto. Dependendo da natureza, elas têm de ser oferecidas pelo Estado (e daí entram na situação estável do monopólio) e outras são de itens essenciais (como a cesta básica) que se sabem que serão compradas (até com previsibilidade de que os consumidores de classe baixa tentarão escolher os itens mais baratos e os ricos os itens mais refinados), e não correm o risco de não serem comprados, como acontece com os supérfluos.
Esse assunto tem relação com o que coloquei nos pressupostos de que o comportamento dos consumidores não será pelos preços, e de fato ainda não consigo preencher a lacuna de explicações que faltam... mas o lado bom é que na hora que consegui introduzir a concorrência benéfica (aquela que traz qualidade aos produtos), ao mesmo tempo consegui introduzir a possibilidade dos serviços públicos ganharem concorrência e não precisar da determinação do monopólio. Isso mostrarei mais tarde.
[OBS: esse papo de concorrência e qualidade me lembrou que certa vez comi X-salada de R$ 0,50 (faz mais de 10 anos atrás) tinha os requisitos mínimos para justificar a nomenclatura: tinha uma fatia fina de hambúrguer, vinagrete para justificar o "salada" e queijo ralado para justificar o "X". Então no ramo de hambúrgueres, a concorrência cria subdivisões para cada faixa de consumidor e elas ficam estáveis também: para os consumidores de rua têm os sanduíches de baixa qualidade e os vendedores de rua conseguem ter previsibilidade da sua clientela. As lanchonetes conseguem também ter estabilidade oferecendo os de qualidade média, a novidade (paulista) talvez fique nos hambúrgueres gourmet, onde quem oferece mais qualidade conquistará e ainda não se estabilizou a quais casas se consolidaram nesse segmento.]
5.4 Quem fabrica $
Está faltando a produção do $. Nesse ponto, relembremos que $ é uma mercadoria especial. Como na nossa proposta falamos de dinheiro-trabalho e não dinheiro-mercadoria, a dinâmica é um pouco diferente mas mesmo assim é necessário uma mercadoria para representar o dinheiro. Precisamos de ♦(algo inanimado) para representar $, pode ser metal para fabricar moedas, ou papel para fabricar cédulas (ou para fabricar bilhetes de teatro, talvez observasse Marx irônico). Mas e se para certificar o trabalho não fosse necessário moedas nem células e sim apenas bater o ponto? Nesse caso, precisamos de pessoas que vão fazer a manutenção dos cartões-ponto, ou seja é um serviço. Assim ao invés de $ = ♦ teremos $ = ♣. Mas e se não temos nem cartão ponto e estamos dentro de uma nave espacial como imaginamos na parte 3? Aí também temos um serviço, como do computador HAL que estará cuidando para que tudo se mantenha conforme os planos da missão. Mesmo sendo HAL uma máquina, podemos considerar seus serviços como algo animado, $ = ♣.
Assim, quando falamos de $, não estamos falando apenas da moeda em si, estamos falando de um sistema que cuida de garantir que a troca ocorra de forma tranquila, tal como o Bando Central que emite cédulas novas e recolhe as velhas. Eles também criam cédulas mais seguras para evitar falsificação. Provavelmente se lhes fosse permitido um gasto ilimitado, não só teríamos cédulas impossíveis de falsificar, como talvez até mesmo difíceis de roubar pois cada cédula teria GPS. Daí que a boa pergunta é: o quanto de dinheiro pode-se investir no Banco Central? (o que soa engraçado: o quanto de dinheiro a sociedade pode gastar com o fabricante do dinheiro?)
A discussão do custo do dinheiro deve ter sido interessante na época de Proudhon. Eles viu como uma novidade boa o dinheiro de papel. Proudhon falava em dinheiro de papel e em crédito gratuito, vendo Proudhon com preconceito, isso até pode soar como propostas irresponsáveis de confiar nas pessoas sem pensar na sustentabilidade do conjunto, não fui muito na fonte de Proudhon, mas encontrei sinais de que não era tão irresponsável assim.
De qualquer forma, o papel em relação ao ouro logo nos faz perguntar: levando em conta que as nações tinham muito trabalho para conseguir ouro, tendo de fazer escavações em locais longínquos, fazendo guerras para conseguir ouro de outra nação, etc, que novidade o dinheiro de papel traz considerando-o como objeto menos custoso que o ouro?
A resposta é que se é menos custoso, essa troca de uma mercadoria-referência para outra é benefíco ao sistema pois o custo que era necessário para manter essa mercadoria-referência pode ser repassada para outra atividade.
Na verdade nem precisamos trocar de material: se um reino estabelecer que a partir dali suas moedas terão furo no meio (como a moeda de 5 e 50 ienes no Japão), economiza-se metal e mais moedas podem ser cunhadas. o menor custo foi convertido em mais moedas.
Esse custo menor pode ser convertido em outras coisas. Se ao adotar novos materiais/tecnologia menos trabalho humano é necessário, esse trabalho humano economizado pode ser convertido em algo mais útil que fazer mais moedas.
Daí que se é possível liberar parte das pessoas e verbas que antes eram usadas para fazer moedas no Banco Central, o governo pode realocar esses funcionários e recursos em outro serviço para a população (o termo burocrático para realocação de pessoas é "desvio de função").
E essa é uma forma de
$ → ♣
sem intermediação do consumidor/cidadão. Ou melhor: pode aparecer como proposta de realocação para o cidadão aprovar num plebiscito, já que no meu esquema esses fluxos são mais fáceis de entender por não envolverem a burocracia.
O esquema inicial, incluindo o $ ficaria assim:
♥1 →☻1→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅓♦1, ⅕♦3
↪✍1 → $ + ♦1
♥2 →☻2→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅖♦3
↪✍2 → $ + ♦2 (=15 biscoitos)
♥3 →☻3→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅔♦1
↪✍3 → $ + ♦3
♥4 →☻4→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅕♦3
↪✍4 → $ + ♣
♥5 →☻5→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅕♦3
↪✍5 → $ (salário próprio) + $ (♦/♣5)
As 3 coisas que todos têm acesso são o dinheiro ($), o serviço público (♣) e 3 biscoitos (da produção total de 15 biscoitos por ♥2), sendo que esse último item chega às pessoas por escolha pessoal da compra e coincidiu de todos quererem.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
rascunho: explanação econômica -parte 4 (pacman)
Vejamos o que temos.
Temos algumas coisas com que trabalho como pressupostos embora eu não tenha conseguido prová-los por completo.
Uma delas é m ≅ l
Outra é que seria possível achar o lucro vendo a relação entre quantidade de Mercadorias vendidas ( Mv)e encalhadas (Me )
O problema é que como elas envolvem a relação entre m (mais-valia), M (Mercadoria), k (custos de produção) e l (lucro), num cenário de concorrência, elas ficam complicadas.
A relação
m = l
que parecia uma questão de lógica matemática pois
M = k + m → M= c + v + m
(traduzindo como: na produção a mercadoria é fruto do que gasto no custo do capital constante (c) e variável (v) mais a mais-valia (m) produzida pelo capital variável)
e
M = k + l → l = M - k
(traduzindo como: na circulação o lucro é fruto da mercadoria menos custo)
e mesmo assim m ≠ l quando entra a concorrência onde o prejuízo é possível mesmo que tenham extraído mais-valia.
Da mesma forma, em casos de abundância e carência excessivas, a relação Mv = k deixa de ser em termos de quantidade de mercadorias vendidas e passa a ser em quantidade de dinheiro arrecadada com a venda (pois a abundância e carências passados de limites alteram o preço da mercadoria depreciando-o ou valorizando-o).
Para organizar:
A relação entre m (mais-valia), M (Mercadoria), k (custos de produção) e l (lucro) não foram bem resolvidas pois existe o Problema da Transformação. Talvez seja meio abusado eu usar isso como desculpa mas vamos em frente.
Para piorar, tem mais (!!!) pressupostos questionáveis.
Esse último item é o que ganhou a tão comentada ilustração:
Como ficar desenhando todas as vezes não dá, vou usar esses símbolos:
♥ →☻
↪✍
Os pressupostos são apenas peças que precisam ser montadas de forma que vai formar uma dinâmica em movimento.
A grande pergunta é se conseguirei propor uma alternativa à dinâmica defendida por Von Mises. Na verdade, essa dinâmica é flexível demais, tanto que continua em funcionamento quando o sistema está desmoronando em crise (tal como em 2008).
Agora entendo melhor o poder da teoria que Von Mises defendeu: de fato ela se arranha muito pouco, e não deixa de estar presente mesmo em situação de crise. Parece que é mais útil demonstrar como ela pode atuar para afundar ou agir contra a recuperação do sistema do que tentar achar uma falha nela.
Ela é como um motor que não pára de funcionar, por vezes ela funciona na direção contrária a que supostamente ela serve, mas não falha, o defeito não está nas falhas e sim no mau-uso, má compreensão de que não é a salvadora da nação. É um motor ligado à "mão invisível do mercado", e é necessário que essa tal mão age também de modo robótica e não divina.
Aparentemente a força da dinâmica defendida por Von Mises está no fato dela não deixar de atuar mesmo em épocas de crise, e o fato dela ser usada em épocas de recuperação da crise é usada para esquercer as vezes que foi ela quem levou à crise.
Por exemplo em casos de abundância excessiva, outras teorias começam a falhar (como se viu no meu exercício de estabelecer o lucro vendo a quantidade de mercadorias vendidas), o fato da l-o-e-p continuar a atuar mesmo nessa situação de crise prova a sua força mas a sua inconsequência, podemos questiona-la enquanto reguladora da quantidade de itens a serem produzidos pelas indústrias. E vejam: não é que ela errou e disse para uma empresa produzir mais quando ninguém queria mais os produtos, a sugestão dela de produzir mais para atender a demanda está certa mesmo quando há superprodução, da mesma forma que à beira do precipício da queda de bolsas, ela continua certa em estabelecer que mais ações podem ser oferecidas aos acionistas quando eles querem comprar, e é ela mesma (essa dinâmica) que faz os preços despencarem quando a bolha estoura.
Muitos já apontaram que o capitalismo leva ao individualismo, desperdício, consumismo, destruição ambiental, exploração, etc.
Os neoclássicos dizem que essas coisas são um mal menor, e continuam defendendo essa dinâmica, muito pouco arranhada, até clamada como imsuperável.
Já de meu lado, rascunhei uma proposta, cujas primeiras peças (os pressupostos) já estão arranhados, com risco de serem questionados. Contudo creio que ela é digna de pelo menos tentar. A força dela não estã em continuar a ser válida sempre, a força dela está em tentar proteger aqueles que a dinâmica de Von Mises não protege.
Enquanto os partidários do marginalismo podem dizer que contestam a existência da exploração (a mais-valia) e que inflar o consumismo é um preço aceitável de se pagar pois coloca todo o sistema em sua forma mais viva, enfim, enquanto dizem que aí está a força da teoria deles, meu esquema, que tem falhas nos pressupostos objetiva, com o estabelecimento de paridade trabalhador/consumidor, equivalência mais-valia/lucro, medição da quantidade de mercadorias para determinar o lucro, estabelecer um sistema que protege a figura do trabalhador. E ela pode ter falhas de funcionar apenas dentro de uma gama pequena de situações (tais como hábitos de consumo permanecerem inalterados mesmo com variação de preços), mas essa fragilidade talvez seja justamente onde a força pecadora da teoria dos neoclássicos está (pecadora por ignorar o sofrimento humano,a destruição ambiental, etc.
Podemos expor da seguinte forma: a proposta neoclássica deixa fixos um ponto e coloca outros como pontos móveis, tal como a hélice que se fixa num ponto e faz suas extremidades girarem. Se fosse algo visualmente definido como a hélice, saberíamos or exemplo que é inviável fixar dois pontos que aí a hélice pode ser quebrar. Infelizmente não é assim e não é só um ponto ou dois que sustenta esse movimento. Mas continuando, se o movimento da hélice não pode ter outro ponto fixo, pois se fixado no meio da hélice e na ponta da hélice o movimento é impossível, o que o pessoal da Terceira Via/Social Democracia faz é controlar a velocidade da hélice, enquanto que os Neoliberais querem que a hélice gire sem limites (o que é comparável com o mercado agir sem nenhum controle ou freio governamental).
O que fiz é deixar fixos pontos que justamente a hélice neoliberal faz questão de deixar na ponta, tais como o ser humano (que se divide em trabalhador e consumidor). É poss´vel haver movimento assim? Vamos ver.
Temos algumas coisas com que trabalho como pressupostos embora eu não tenha conseguido prová-los por completo.
Uma delas é m ≅ l
Outra é que seria possível achar o lucro vendo a relação entre quantidade de Mercadorias vendidas ( Mv)e encalhadas (Me )
| Mv = k l = 0 nem lucro nem prejuízo |
Mv > k Me < k l = + (positivo) lucro | Mv < k Me ≥ k l = - (negativo) prejuízo |
O problema é que como elas envolvem a relação entre m (mais-valia), M (Mercadoria), k (custos de produção) e l (lucro), num cenário de concorrência, elas ficam complicadas.
A relação
m = l
que parecia uma questão de lógica matemática pois
M = k + m → M= c + v + m
(traduzindo como: na produção a mercadoria é fruto do que gasto no custo do capital constante (c) e variável (v) mais a mais-valia (m) produzida pelo capital variável)
e
M = k + l → l = M - k
(traduzindo como: na circulação o lucro é fruto da mercadoria menos custo)
e mesmo assim m ≠ l quando entra a concorrência onde o prejuízo é possível mesmo que tenham extraído mais-valia.
Da mesma forma, em casos de abundância e carência excessivas, a relação Mv = k deixa de ser em termos de quantidade de mercadorias vendidas e passa a ser em quantidade de dinheiro arrecadada com a venda (pois a abundância e carências passados de limites alteram o preço da mercadoria depreciando-o ou valorizando-o).
Para organizar:
| PRESSUPOSTOS | |||
| fórmula/equação | complemento |
uso | problema |
| m ≅ l | M = k + m M = k + l |
determina a relação entre produção e circulação, de forma que a quantidade de valor produzido na produção tem paridade com o que aparece na circulação | Se analisado pelo ponto de vista do lucro calculado em empresas capitalistas, nem sempre a extração de mais-valia significa lucro. Muitas vezes sendo indiferente, existindo a exploração mas havendo prejuízo da firma. Contudo, as empresas não deixam de explorar quando há oportunidade pois sabem que isso aumenta as chances de lucro |
| Mv = k M = Mv + Me | Mv > k lucro Mv < k prejuízo |
método alternativo de achar lucro, analisando a quantidade de Mercadorias vendidas e encalhadas, comparando a quantidade vendida com o custo de produção. É indiferente quanto à mais-valia pois a quantidade de trabalho a mais não corresponde à quantidade que sobra das vendas (como visto na parte 3). | Porém, na abundância e na carência excessivas, os preços que até então poderiam ser fixos não se mantêm e a relação entre mercadoria vendida e custo passa a ser pelo $$ arrecadado e não mais pela quantidade de mercadorias. |
A relação entre m (mais-valia), M (Mercadoria), k (custos de produção) e l (lucro) não foram bem resolvidas pois existe o Problema da Transformação. Talvez seja meio abusado eu usar isso como desculpa mas vamos em frente.
Para piorar, tem mais (!!!) pressupostos questionáveis.
| MAIS PRESSUPOSTOS | |||
| enunciado | exemplo | uso |
problema/limite |
| Em situações de estabilidade e saciedade, o comportamento do consumidor não é determinado pelo preço das mercadorias e sim pelo costume. | Macarrão x Arroz O consumo de uma pessoa da classe média de macarrão e arroz é determinado por seu costume e não pelo preço. Mesmo que os preços mudem, a pessoa não irá alterar seu cardápio. | previsão do consumo mais fácil; planificação de preços dentro de uma região/célula (explicação posterior sobre essas células) | isso funciona dentro de situações em que os consumidores julguem que vale mais a pena manter o costume do que se guiar pelos preço. Esse risco é especialmente válido fora das situações de saciedade e estabilidade |
| paridade entre trabalhador e consumidor: se existe um trabalhador na produção, existe um consumidor na circulação. | Keynes recomendou empregar pessoas em obras públicas pois isso aumentaria a massa de consumidores e isso aquece a economia. | também serve para previsão do consumo. Havendo a paridade, se enfatiza a importância de existirem empregos para que haja consumo (enquanto que as empresas capitalistas pensam que reduzindo o custo com trabalhadores, demitindo-os, conseguirão reduzir o custo e assim ter mais consumidores) | Nesse modelo, supõe-se que eles se tornam consumidores quase imediatamente, e não por exemplo poupadores. Keynes não pensava assim (segundo entendi da Ângela e Luiz). Os comportamentos podem ser diversos, mas não podem ser totalmente imprevisíveis pois isso atrapalha a previsão do consumo e o planejamento da economia. |
Esse último item é o que ganhou a tão comentada ilustração:
Como ficar desenhando todas as vezes não dá, vou usar esses símbolos:
♥ →☻
↪✍
| RESUMO DOS PRESSUPOSTOS | onde quero chegar com eles |
| m ≅ l | Quero chegar a sistema que não depende da l-o-e-p para regular
|
| Mv = k M = Mv + Me | |
| comportamento do consumidor não determinado pelos preços | |
| paridade entre trabalhador e consumidor ✍ = ☻ |
Os pressupostos são apenas peças que precisam ser montadas de forma que vai formar uma dinâmica em movimento.
A grande pergunta é se conseguirei propor uma alternativa à dinâmica defendida por Von Mises. Na verdade, essa dinâmica é flexível demais, tanto que continua em funcionamento quando o sistema está desmoronando em crise (tal como em 2008).
Agora entendo melhor o poder da teoria que Von Mises defendeu: de fato ela se arranha muito pouco, e não deixa de estar presente mesmo em situação de crise. Parece que é mais útil demonstrar como ela pode atuar para afundar ou agir contra a recuperação do sistema do que tentar achar uma falha nela.
Ela é como um motor que não pára de funcionar, por vezes ela funciona na direção contrária a que supostamente ela serve, mas não falha, o defeito não está nas falhas e sim no mau-uso, má compreensão de que não é a salvadora da nação. É um motor ligado à "mão invisível do mercado", e é necessário que essa tal mão age também de modo robótica e não divina.
Aparentemente a força da dinâmica defendida por Von Mises está no fato dela não deixar de atuar mesmo em épocas de crise, e o fato dela ser usada em épocas de recuperação da crise é usada para esquercer as vezes que foi ela quem levou à crise.
Por exemplo em casos de abundância excessiva, outras teorias começam a falhar (como se viu no meu exercício de estabelecer o lucro vendo a quantidade de mercadorias vendidas), o fato da l-o-e-p continuar a atuar mesmo nessa situação de crise prova a sua força mas a sua inconsequência, podemos questiona-la enquanto reguladora da quantidade de itens a serem produzidos pelas indústrias. E vejam: não é que ela errou e disse para uma empresa produzir mais quando ninguém queria mais os produtos, a sugestão dela de produzir mais para atender a demanda está certa mesmo quando há superprodução, da mesma forma que à beira do precipício da queda de bolsas, ela continua certa em estabelecer que mais ações podem ser oferecidas aos acionistas quando eles querem comprar, e é ela mesma (essa dinâmica) que faz os preços despencarem quando a bolha estoura.
Muitos já apontaram que o capitalismo leva ao individualismo, desperdício, consumismo, destruição ambiental, exploração, etc.
Os neoclássicos dizem que essas coisas são um mal menor, e continuam defendendo essa dinâmica, muito pouco arranhada, até clamada como imsuperável.
Já de meu lado, rascunhei uma proposta, cujas primeiras peças (os pressupostos) já estão arranhados, com risco de serem questionados. Contudo creio que ela é digna de pelo menos tentar. A força dela não estã em continuar a ser válida sempre, a força dela está em tentar proteger aqueles que a dinâmica de Von Mises não protege.
Enquanto os partidários do marginalismo podem dizer que contestam a existência da exploração (a mais-valia) e que inflar o consumismo é um preço aceitável de se pagar pois coloca todo o sistema em sua forma mais viva, enfim, enquanto dizem que aí está a força da teoria deles, meu esquema, que tem falhas nos pressupostos objetiva, com o estabelecimento de paridade trabalhador/consumidor, equivalência mais-valia/lucro, medição da quantidade de mercadorias para determinar o lucro, estabelecer um sistema que protege a figura do trabalhador. E ela pode ter falhas de funcionar apenas dentro de uma gama pequena de situações (tais como hábitos de consumo permanecerem inalterados mesmo com variação de preços), mas essa fragilidade talvez seja justamente onde a força pecadora da teoria dos neoclássicos está (pecadora por ignorar o sofrimento humano,a destruição ambiental, etc.
Podemos expor da seguinte forma: a proposta neoclássica deixa fixos um ponto e coloca outros como pontos móveis, tal como a hélice que se fixa num ponto e faz suas extremidades girarem. Se fosse algo visualmente definido como a hélice, saberíamos or exemplo que é inviável fixar dois pontos que aí a hélice pode ser quebrar. Infelizmente não é assim e não é só um ponto ou dois que sustenta esse movimento. Mas continuando, se o movimento da hélice não pode ter outro ponto fixo, pois se fixado no meio da hélice e na ponta da hélice o movimento é impossível, o que o pessoal da Terceira Via/Social Democracia faz é controlar a velocidade da hélice, enquanto que os Neoliberais querem que a hélice gire sem limites (o que é comparável com o mercado agir sem nenhum controle ou freio governamental).
O que fiz é deixar fixos pontos que justamente a hélice neoliberal faz questão de deixar na ponta, tais como o ser humano (que se divide em trabalhador e consumidor). É poss´vel haver movimento assim? Vamos ver.
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