terça-feira, 27 de agosto de 2013

rascunho: explanação econômica -parte 2: o que já vimos

 2- continuando do ponto em que dissemos que o desafio é pensar numa alternativa à lei da oferta e procura como reguladora das trocas, quantidade de itens produzidos.

[vou colocar aqui as equações iniciais, que foram tão discutidas, ou seja, quase 100% do que expûs aquele dia está aqui, e eu recapitulo aqui o que foi discutido.]

Na explanação que tentei fazer a vocês, vi que o modo como sintetizei a relação que expûs a cerca do capitalismo está imprecisa e ficamos um tempão discutindo essa representação.

Bem, tinha sintetizado dessa forma:

CAPITALISMO:
k por k
l-o-e-p (lei da oferta e procura)

Sendo e k = c + v

O que eu quis dizer por k? Por que não botei M por M (de Mercadoria)? É possível dizer que as trocas são feitas k por k se pela l-o-e-p as trocas ocorrem de aocrdo com a cotação, e o que determina essa cotação é a procura?

Ficamos muito tempo discutindo isso, e realmente admito que há problemas, que foram aumentados pelo fato de que há a discussão sobre o l (lucro).

para marginalistas/neoclássicos:
M = k + l (Mercadoria = preço de custo + lucro)
      ↓
l = M - k (lucro = Mercadoria - custo)

Marx também trabalha com esses cálculos mas

M = k + l 

M = k + m → M = c + v + m

Caio ficou me azucrinando porque eu tinha colocado c + v + m , sendo que m (mais-valia) está contido em v (força de trabaho). Agora me lembrei que foi por causa de M = k + m → M = c + v + m .

Bem, continuando, a questão é se

M = k + l 

M = k + m
então ↪ l = m

 l = m envolve muita polêmica, Luiz ponderou que l e m são diferentes pois l (lucro) sempre está na forma dinheiro e m (mais-valia) na forma valor. Mas em termos "quantitativos" m e l se equivaleriam? (essa equivalência pode ser medida se o valor a que equivale a quantidade em dinheiro que representa l é igual a m)  Vocês me disseram que sim, mas depende. Talvez numa situação de monopólio, em que só tem uma firma e portanto o lucro obtido por ela é só dela, pois uma das maiores polêmicas envolve M = k + m, é que para Marx antes mesmo de algo ir para o mercado, um lucro está garantido pois provém da produção, ou seja, antes mesmo de chegar na circulação. Marx diz que os capitalistas enxergam M = k , quando na verdade deveria ser M = k + m.

Caio observou que inclusive a forma de l = M - k deveria ser l = ∑M - k , ou seja, enfatizando que o lucro vem da soma de todas as mercadorias vendidas menos o custo.

Então as coisas a tomar nota: monopólio e ∑M. Caio disse que a questão não é que para Marx o lucro se realiza antes da circulação, pois se na circulação a Mercadoria não for vendida ao invés de lucro teremos prejuízo. Daí o risco é de que ao invés de l = m , tenhamos l < m .

l > m , é possível? Sim, se as mercadorias forem bem cotadas e alcançarem um preço alto. Por causa dessas questões, os neoclássicos negam l = m e podem até mesmo negar que a exploração existe: chineses não seriam explorados, é só uma questão do trabalho deles estar menos cotado.

M = k + m , e possível obter a soma total (de todo o sistema) de M , k e m? (M , k e m) Sim, isso não parece ser tão difícil. Mas então porque não podemos dizer o mesmo de ∑l (soma da taxa de lucro)? Pois é, aí que pesa a diferença entre monopólio e concorrência, pois na concorrência, o lucro de um pode significar o prejuízo de outro (produto A concorre com produto B, se A vende mais que B, A teve lucro que poderia ter ido, mas não foi para B). Pensando bem, mesmo M não é exato, pois na concorrência, B pode encalhar por causa de A.

2.1 E só para rever Von Mises
Por causa da concorrência e da lei de oferta e procura, fica-se sabendo que A teve mais lucro pois é mais procurado, e no próximo ciclo pode-se investir mais na fábrica A para atender a demanda. B pode diminuir a produção e esse recurso economizado ser investido em alguma outra coisa, seja em outro ramo de produção ou em tecnologia, para tentar enfrentar A de novo.

Assim, as fórmulas
M = k + l 
M = k + m
l = ∑M - k

dependem das condições se há monopólio ou concorrência e o debate é intenso, a ponto de  alguns duvidarem da existência de m (gerado na produção e pendente de confirmação na circulação).

Eu comentei para Caio que indo muito profundamente nessas polêmicas, acabaríamos chegando ao Problema da Transformação. Ele perguntou o que é isso e disse que para mim seria muito arriscado tentar resumir um problema que ninguém conseguiu resolver, mas eu tentei mesmo assim e (como esperava), não deu muito certo e Caio ficou com cara mais confusa ainda.

2.2 Seguinte pessoal:
Vou expor na próxima subseção 2.3 as linhas básicas do Problema da Transformação, eu nem tenho certeza se "mereço" dizer que explorei bem a questão a ponto de chegarmos ao seu limite (que matematicamente desde o século retrasado tá sem solução). Mas enfim, mesmo se eu não estiver merecendo dizer que chegamos ao Problema, pelo menos fica como leitura para complementar o que estamos vendo.

E se não for uma cara-de-pau maior ainda da minha parte, mesmo sem ter conseguido provar, vou fixar uma fórmula como meu pressuposto, ainda que não tenha conseguido prová-la e seja passível de discussão:

MEUS PRESSUPOSTOS/ FÓRMULAS:
  • k se refere ao custo de produção
  • l não é muito utilizado, 
  • m é utilizado em suas formas modificadas para que reapareçam após a produção. Ao invés de m da produção reaparecer como l na circulação/processo global (m → l ), reaparecerá como m modificado. 
  • Se l aparecer, m ≅ l (mesmo com concorrência)
  • concordo com Caio que podemos apresentar c + v, e não c +v + m , mas se v engloba m, então ao invés de M = k + m  temos  M ≅ k.
  • então M + l ≅ k +m
  • ou M + m ≅ M + l 
  • M+l > k
  • M+l < k 
  • M < k  ou seja, a mercadoria com lucro sempre será maior que seu custo
Mais para frente, se necessário irei refazer as fórmulas, mas por enquanto deixa assim. O que eu falei no último item sei que é contestável pois se há concorrência, há risco de não vender e assim haver prejuízo, de forma que o lucro se torne negativo e assim M < k , mas o que quero é preservar m, que continuará existindo mesmo com o problema do encalhe. Mais tarde, para representar o encalhe/baixas vendas colocarei um outro símbolo.

Agora sim, vamos ao outro item

2.3 Problema da transformação: 
(extraído do texto de Alex Callinicos, estranho que esse link sempre dá certo, mas hoje não deu. Então peguei a versão do mesmo texto disponível em PDF)

A transformação de valores em preços de produção ao invés de negar a teoria do valor-trabalho, completa-a. Marx assinala que os desvios  dos preços de produção em relação aos valores "sempre se resolvem com uma mercadoria recebendo muito pouco da mais-valia enquanto outra  recebe muito, e desse modo os desvios dos valores que estão corporificados nos preços de produção compensam um ao outro". "A soma dos preços de  produção de todas as mercadorias produzidas na sociedade (...) é igual à soma dos seus valores" (...)
O chamado "problema da transformação" tem, todavia  causado uma enorme controvérsia,
iniciada quando o volume 3 de O Capital foi publicado em 1894 e não mostra sinais de abatimento ainda hoje. (...)
Há algumas críticas técnicas mais válidas. Marx, em seus exemplos de transformação,
ignorou o fato de que o valor das mercadorias representadas pelo capital constante e variável
deveria ele mesmo em preços de produção. Não seria correto, portanto, como fiz em minha própria ilustração, deixar o capital de A com 10.000 dólares e B com 15.000 dólares tanto antes como depois da transformação. Os bens consumidos pelos trabalhadores, o edifício, maquinário e as demais coisas que eles usam para produzir mercadorias terão também sido afetados pela formação de uma taxa geral de lucro, e também terão tido os  seus valores transformados em preços de produção. Marx não era inconsciente desse problema,mas sentiu que não era importante o bastante para preocupar-se com ele (ver C3, 164-165, edição inglesa). Pesquisas posteriores sugerem que ele estava errado, e que uma completa transformação de  valores em preços de produção tem implicações de alcance muito maior do que Marx imaginou. Porém, as soluções matemáticas ao problema que tem sido alcançadas até agora não invalidam a abordagem feita por Marx da conversão de valores em preços de produção.
Alguns economistas, incluindo inúmeros marxistas, ainda insistem que o "problema da transformação" prova que a teoria do valor-trabalho deve ser rejeitada. Seus principais argumentos para isso é que existem técnicas para determinar os preços das mercadorias que não implicam em tomar seus valores como ponto de partida. Isso é perfeitamente verdadeiro, mas é equivocado no tocante à teoria do valor-trabalho. O principal propósito da teoria não é nos fornecer uma fórmula para determinar a razão na qual as mercadorias serão trocadas umas por outras (embora ela possa determinar, uma vez que corrijamos a versão de Marx da transformação). A intenção de Marx é "revelar a lei do movimento da moderna sociedade" -desvelar as tendências do desenvolvimento histórico contidas no modo de produção capitalista.A teoria do valor trabalho é um instrumento voltado para esse fim. 


Pois é, as fórmulas de Marx combinadas com a concorrência, geram exercícios mentais que nos deixam tontos. Um outro autor (Celso Barros, doutor pela Oxford) comentou assim:

(...) é esquisito. A teoria do valor-trabalho que parece determinar os preços no começo do livro, por exemplo, vira um negócio diferente (ou não vira? procurem aí no Google “transformation problem marxism” e divirtam-se) com a introdução dos “preços de produção” mais à frente.
(em "Ler Karl Marx")

Não sei se provei que não há relação óbvia ou se estou fugindo pela tangente, mas como disse, adoto como um dos pressupostos que m ≅ l (mesmo com concorrência) e a  mercadoria com lucro sempre será maior que seu custo, embora eu vá precisar representa o encalhe depois. O objetivo será sempre exibir a mais-valia mesmo em situações assim.

Caio me tranquilizou com "se é pressuposto, não necessariamente precisa ser provado", então vamos em frente. Na verdade encarar dessa forma acaba facilitando tudo, eu não acho que minha proposta é tão complicada de entender se partimos do princípio que os pressupostos estão certos. Claro que foi bom vocês criticarem, e essa é uma das coisas que eu pedia, agradeço muito pelas críticas. Mas vamos separar os momentos: questionar os pressupostos e entender minha proposta, organizando desse modo, acho que dá menos medo de encarar minha exposição (Caio tava meio cansado no final do dia, acho que desanimou quando eu disse que faltava mais coisas para eu expor...)

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