quarta-feira, 28 de agosto de 2013

rascunho: explanação econômica -parte 4 (pacman)

Vejamos o que temos.

Temos algumas coisas com que trabalho como pressupostos embora eu não tenha conseguido prová-los por completo.

Uma delas é m ≅ l

Outra é que seria possível achar o lucro vendo a relação entre quantidade de Mercadorias vendidas ( Mv)e encalhadas (Me )
Mv = k
l = 0
nem lucro nem prejuízo
Mv > k
Me < k
l = + (positivo)
lucro

Mv < k
Me k
l = - (negativo)
prejuízo

O problema é que como elas envolvem a relação entre m (mais-valia), M (Mercadoria), k (custos de produção) e l (lucro), num cenário de concorrência, elas ficam complicadas.

A relação

m = l

que parecia uma questão de lógica matemática pois

M = k + m  → M= c + v + m
(traduzindo como: na produção a mercadoria é fruto do que gasto no custo do capital constante (c) e variável (v) mais a mais-valia (m) produzida pelo capital variável)


M = k + l → l = M - k
 (traduzindo como: na circulação o lucro é fruto da mercadoria menos custo)  

e mesmo assim m ≠ l quando entra a concorrência onde o prejuízo é possível mesmo que tenham extraído mais-valia.

Da mesma forma, em casos de abundância e carência excessivas, a relação Mv = k deixa de ser em termos de quantidade de mercadorias vendidas e passa a ser em quantidade de dinheiro arrecadada com a venda (pois a abundância e carências passados de limites alteram o preço da mercadoria depreciando-o ou valorizando-o).

Para organizar:

PRESSUPOSTOS
 fórmula/equação  complemento
 uso

 problema
m l M = k + m 
 M = k + l
determina a relação entre produção e circulação, de forma que a quantidade de valor produzido na produção tem paridade com o que aparece na circulação 

Se analisado pelo ponto de vista do lucro calculado em empresas capitalistas, nem sempre a extração de mais-valia significa lucro. Muitas vezes sendo indiferente, existindo a exploração mas havendo prejuízo da firma. Contudo, as empresas não deixam de explorar quando há oportunidade pois sabem que isso aumenta as chances de lucro 
Mv = k
M = Mv + Me
Mv >
lucro


Mv < k
prejuízo
método alternativo de achar lucro, analisando a quantidade de Mercadorias vendidas e encalhadas, comparando a quantidade vendida com o custo de produção. É indiferente quanto à mais-valia pois a quantidade de trabalho a mais não corresponde à quantidade que sobra das vendas (como visto na parte 3).

Porém, na abundância e na carência excessivas, os preços que até então poderiam ser fixos não se mantêm e a relação entre mercadoria vendida e custo passa a ser pelo $$ arrecadado e não mais pela quantidade de mercadorias.

A relação entre m (mais-valia), M (Mercadoria), k (custos de produção) e l (lucro) não foram bem resolvidas pois existe o Problema da Transformação. Talvez seja meio abusado eu usar isso como desculpa mas vamos em frente.

Para piorar, tem mais (!!!) pressupostos questionáveis.


MAIS PRESSUPOSTOS
 enunciado  exemplo  uso
 problema/limite
Em situações de estabilidade e saciedade, o comportamento do consumidor não é determinado pelo preço das mercadorias e sim pelo costume. Macarrão x Arroz
O consumo de uma pessoa da classe média de macarrão e arroz é determinado por seu costume e não pelo preço. Mesmo que os preços mudem, a pessoa não irá alterar seu cardápio.
previsão do consumo mais fácil; planificação de preços dentro de uma região/célula (explicação posterior sobre essas células)

isso funciona dentro de situações em que os consumidores julguem que vale mais a pena manter o costume do que se guiar pelos preço. Esse risco é especialmente válido fora das situações de saciedade e estabilidade
paridade entre trabalhador e consumidor: se existe um trabalhador na produção, existe um consumidor na circulação.
Keynes recomendou empregar pessoas em obras públicas pois isso aumentaria a massa de consumidores e isso aquece a economia.

também serve para previsão do consumo. Havendo a paridade, se enfatiza a importância de existirem empregos para que haja consumo (enquanto que as empresas capitalistas pensam que reduzindo o custo com trabalhadores, demitindo-os, conseguirão reduzir o custo e assim ter mais consumidores)
Nesse modelo, supõe-se que eles se tornam consumidores quase imediatamente, e não por exemplo poupadores. Keynes não pensava assim (segundo entendi da Ângela e Luiz).
Os comportamentos podem ser diversos, mas não podem ser totalmente imprevisíveis pois isso atrapalha a previsão do consumo e o planejamento da economia.


Esse último item é o que ganhou a tão comentada ilustração:
Como ficar desenhando todas as vezes não dá, vou usar esses símbolos:
   

↪✍


RESUMO DOS PRESSUPOSTOS onde quero chegar com eles
m l Quero chegar a sistema que não depende da l-o-e-p para regular 
  • as trocas, 
  • a cotação das mercadorias e
  • a quantidade de itens a serem produzidos!
Mv = k
M = Mv + Me
comportamento do consumidor não determinado pelos preços
paridade entre trabalhador e consumidor 
=

Os pressupostos são apenas peças que precisam ser montadas de forma que vai formar uma dinâmica em movimento.

A grande pergunta é se conseguirei propor uma alternativa à dinâmica defendida por Von Mises. Na verdade, essa dinâmica é flexível demais, tanto que continua em funcionamento quando o sistema está desmoronando em crise (tal como em 2008).

Agora entendo melhor o poder da teoria que Von Mises defendeu: de fato ela se arranha muito pouco, e não deixa de estar presente mesmo em situação de crise. Parece que é mais útil demonstrar como ela pode atuar para afundar ou agir contra a recuperação do sistema do que  tentar achar uma falha nela.

Ela é como um motor que não pára de funcionar, por vezes ela funciona na direção contrária a que supostamente ela serve, mas não falha, o defeito não está nas falhas e sim no mau-uso, má compreensão de que não é a salvadora da nação. É um motor ligado à "mão invisível do mercado", e é necessário que essa tal mão age também de modo robótica e não divina.

Aparentemente a força da dinâmica defendida por Von Mises está no fato dela não deixar de atuar mesmo  em épocas de crise, e o fato dela ser usada em épocas de recuperação da crise é usada para esquercer as vezes que foi ela quem levou à crise.

Por exemplo em casos de abundância excessiva, outras teorias começam a falhar (como se viu no meu exercício de estabelecer o lucro vendo a quantidade de mercadorias vendidas), o fato da l-o-e-p continuar a atuar mesmo nessa situação de crise prova a sua força mas a sua inconsequência, podemos questiona-la enquanto reguladora da quantidade de itens a serem produzidos pelas indústrias. E vejam: não é que ela errou e disse para uma empresa produzir mais quando ninguém queria mais os produtos, a sugestão dela de produzir mais para atender a demanda está certa mesmo quando há superprodução, da mesma forma que à beira do precipício da queda de bolsas, ela continua certa em estabelecer que mais ações podem ser oferecidas aos acionistas quando eles querem comprar, e é ela mesma (essa dinâmica) que faz os preços despencarem quando a bolha estoura.

Muitos já apontaram que o capitalismo leva ao individualismo, desperdício, consumismo, destruição ambiental, exploração, etc.

Os neoclássicos dizem que essas coisas são um mal menor, e continuam defendendo essa dinâmica, muito pouco arranhada, até clamada como imsuperável.

Já de meu lado, rascunhei uma proposta, cujas primeiras peças (os pressupostos) já estão arranhados, com risco de serem questionados. Contudo creio que ela é digna de pelo menos tentar. A força dela não estã em continuar a ser válida sempre, a força dela está em tentar proteger aqueles que a dinâmica de Von Mises não protege.

Enquanto os partidários do marginalismo podem dizer que contestam a existência da exploração (a mais-valia) e que inflar o consumismo é um preço aceitável de se pagar pois coloca todo o sistema em sua forma mais viva, enfim, enquanto dizem que aí está a força da teoria deles, meu esquema, que tem falhas nos pressupostos objetiva, com o estabelecimento de paridade trabalhador/consumidor, equivalência mais-valia/lucro, medição da quantidade de mercadorias para determinar o lucro, estabelecer um sistema que protege a figura do trabalhador. E ela pode ter falhas de funcionar apenas dentro de uma gama pequena de situações (tais como hábitos de consumo permanecerem inalterados mesmo com variação de preços), mas essa fragilidade talvez seja justamente onde a força pecadora da teoria dos neoclássicos está (pecadora por ignorar o sofrimento humano,a destruição ambiental, etc.

Podemos expor da seguinte forma: a proposta neoclássica deixa fixos um ponto e coloca outros como pontos móveis, tal como a hélice que se fixa num ponto e faz suas extremidades girarem. Se fosse algo visualmente definido como a hélice, saberíamos or exemplo que é inviável fixar dois pontos que aí a hélice pode ser quebrar. Infelizmente não é assim e não é só um ponto ou dois que sustenta esse movimento. Mas continuando, se o movimento da hélice não pode ter outro ponto fixo, pois se fixado no meio da hélice e na ponta da hélice o movimento é impossível, o que o pessoal da Terceira Via/Social Democracia faz é controlar a velocidade da hélice, enquanto que os Neoliberais querem que a hélice gire sem limites (o que é comparável com o mercado agir sem nenhum controle ou freio governamental).

O que fiz é deixar fixos pontos que justamente a hélice neoliberal faz questão de deixar na ponta, tais como o ser humano (que se divide em trabalhador e consumidor). É poss´vel haver movimento assim? Vamos ver.

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