Algumas mensagens que troquei sobre moedas, fica apenas para fins de registro.
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Vou percebendo que minha falta de conhecimento é
barreira para algumas questões simpels. Por
exemplo agora estou vendo que moeda não é sinônimo de riqueza, ou melhor, que há diferenças
entre:- moeda- preço- riqueza- mercadoria
Se puderem me escrever mandando ponderações fáceis de entender a respoito,
agradeço.
Rascunhando
minha própria tentativa: tá me parecendo que a moeda, apesar de ter
sido escolhida para representar a riqueza por sua durabilidade, também
tem "vencimento", tal como a fruta que apodrece depois de um tempo. No
caso da fruta, sua riqueza em utilidade se
esvai por ter passado da
data de validade, e no caso da moeda, ela falha como meio de compra de
riqueza por determinado preço. Se a moeda se desvaloriza, ela não
consegue representar uma dada quantidade de riqueza, que "negocia" com
preço da mercadoria a ser comprada.
Eu entendia inicialmente que
preço = riqueza = moeda
Mas agora vejo que estava bem enganado,
preço me parece uma coisa muito fluida, que a moeda tenta capturar, mas
visualizo como borboletas muito fluidas e uma rede tentando capturá-las
para ver se juntando, dá a riqueza...
Um dos textos que encontrei é
"gold has no price", achei isso bem intrigante e ainda tenho de
refletir se concordo ou não. Por esse texto, o ouro não tem preço por
um motivo lógico até que simples: a moeda não pode ter preço pois ela é
representante do preço, e
se ela tivesse preço seria dizer que ela
é equivale a si mesma. Mas... uma pergunta que me vem, é "tá, mas
porque devemos evitar essa tautologia? Porque devemos evitar dizer que
ouro tem preço?"
Parece que o texto quer dizer que a produção de ouro não devia ser contada na hora de calcular o
preço total dos
custos de produção da sociedade: ou seja, soma todos os custos de
produção menos o do ouro (moeda) pois o custo total é que tem de ser
confrontado com o ouro, e não a soma+ouro ser confrontada com o ouro...
Mas
estava refletindo sobre o sistema capitalista atual: parece que o dolar
não é lastreado no ouro, então dolar é lastreado pelo conjunto de
produções nacinais (americanas) e internacionais, e quando há forte
abalo em nos mercados, o
valor do dolar também sofre abalo, ou seja, o dolar, apesar de dever ser o
"confrontante" (como no parágrafo acima), está também no conjunto...
Então
me parece assim: enquanto tem um dizendo que a soma se confronta com o
ouro, e não deve ser soma+ouro a se confrontar com o ouro, na sociedade
moderna, dolar devia ser o "confrontante", de a soma se confrontar com
o dolar, mas na prática soma+dolar é que se confornta com o dolar, e
parece ser por isso que o valor do dolar tma´bem se abala quando o
mercado se
abala.
(esse é mais um texto que vou escrevendo sem
pensar no conjunto, então sinto muito, aposto que estou deixando-os
tontos de novo. Provavlemente dá vertigem ao me verem indo de micro
para o macro assim, sem ter recebido a erudição econômica, a
"educação". Sou um "mal-educado" que tá falando da mercadoria e moeda e
no mesmo parágrafo tá falando de bolsa e dolar.... Tenho certeza que é
"má-educação"/falta de erudição mesmo, não
é genialidade não! Se puderem me ajudar me dando toques de bê-a-bá agradeceria muito!)
Célio
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(do Luiz)
Celinho,
Tenho tentado escrever lhe algo. mas como gasto tempo
demais com assuntos que me interessam de menos acabo por não
conseguir.Tenho acompanhado seus textos com atenção na medida do
possível, em especial esse último. Tens boas coisas escritas e a
despeito de questões de estilo
tens um material muito bom em mãos.
Se não no sentido de uma teoria da pequena produção no sentido de uma
leitura de Marx para além da média dos economista heterodoxos. Espero
em breve lhe produzir algum comentário digno, enquanto isso escrevo
para dar satisfação e demonstrar minha admiração.Abs,Luiz
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Valeu Luiz!
E tava pensando que a questão do ouro/dolar ter
preço. Uma forma de resumir seria fazer a pergunta: "quantos reais vale
um real?". Quase todos diriam: "um real vale um real" e complementariam
com o comentário: "não se mede real com reais", porque se cai na
tautologia que soa como um pleonasmo. embora essa resposta pareça
simples, pelo jeito é esse raciocínio que fundamenta "gold has no
price", que é muito mais complexo.
Ah, encontrei o texto que diz "gold has no price", é esse: http://www.mtholyoke.edu/~fmoseley/working%20papers/TRANSFORMATION.pdf como
se vê o tema é tão complexo que é um daqueles textos tentando responder
o problema da transformação. Ah, pelo pouco que li do texto, a resposta
do autor
não seria "um real vale um real", mas sim "um real vale na
verdade R$0,50, que é o seu custo para produzí-la, mas como tem a mais
valia, dá um real" ou "investindo 50 centavos, consigo produzir 1 real,
investindo esse 1 real novamente na produção, consigo 2 reais", e
talvez complementasse a observação de que: "estou falando de custos e
resultados verdadeiros, não estou falando de decisões artificiais
políticas tipo Cr$ 1000 agora vale Cr$ 1 pois cortei zeros!". Contudo,
ele diria também que "embora essa discussão não interesse pois digo que
dinheiro não tem preço!".
Mas volto ao dolar, quando a discussão novamente sai fora do óbvio pois a resposta para o dólar parece ser:
(numa
lingua enrolada) "Um dólar vale um dolar, mas um dolar vale o quanto
vale a cotação do dolar, influenciada pela quantidade de itens que
represetnam um dolar, mas esse dolar com que
representamos um dolar pode variar e...."
ou
seja:
"Um
dólar pode ser representado em quantidade de mercadorias que se compra
com um dolar, mas essa quantidade depende da cotação do dolar. Uma ação
do Citibank vale tantos dolares, mas quando Citigroup tá indo para
falência, ela afeta até o dolar, o dolar não é lastreado no ouro, o
dolar é meio lastreado em si mesmo, sendo esse si mesmo dependendo da
situação do mercado, onde se troca as coisas baseado na cotação do
dolar... se o mercado se abala, o dolar também se abala e nada parece
sólido, como se o mercado ficasse em solavancos e não soubéssemos no
que agarrar!"
Célio
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Sobre o dolar e as bolsas, pelo jeito é um engano enxerga-los pela teoria "simples" marxista assim
relação:
dolar - bolsas => dinheiro - mercadorias
(sendo dinheiro uma mercadoria especial)
Na
relação dolar-bolsas não é o dolar que é a mercadoria-referência
escolhida por sua durabilidade, estabilidade de valor, essas coisas.
Pensando bem nem é mercadoria.
Vi essa matéria recente e assutadora sobre os EUA: "Uma potência à beira da insanidade".
http://outraspalavras.net/capa/uma-potencia-a-beira-da-insanidade/
Onde
se lê: "Os mercados financeiros tratam os títulos da dívida
norte-americana como o ativo mais seguro. A presunção de que os EUA
sempre honrarão sua dívida é a viga-mestra que sustenta o sistema
financeiro internacional. Em particular, os títulos do Tesouro –
obrigações de curto prazo dos EUA – são o que os investidores procuram,
quando querem contrapartidas absolutamente sólidas contra perdas em
empréstimos. Estes papéis são tão essenciais que, em momentos de
estresse severo dos mercados, eles às vezes pagam taxas de juros
ligeiramente negativas. Ou seja, são tratados com se fossem melhores
que dinheiro vivo."
Na discussão sobre moeda, algo serve de
referencial, unidade de medida e item divisível/transportável. Para
trocar itens perecíveis e não-divisíveis por 100 (para formar
centavos), se tinha como referência a moeda, para pequenos ajustes.
Pensando bem, talvez essas características únicas não tornem a moeda a
coisa mais importante do sitema, mas bem...
O certo é que na
atualidade, o dólar pode ser oficialmente a moeda, mas o que realmente
serve de moeda é a dívida pública americana. É ela a referência, e
quase que tranquilamente poderíamos dividir em cotas-parte, e essas
cotas-parte em centavos e assim teríamos uma nova moeda. Eu digo
"quase" pois a dívida é um processo, não um item sólido como ouro. AÍ
ESTÁ TODA A LOUCURA DA SITUAÇÃO!
Ouro já era, na atualidade o
que importa é a interrelação entre os processos de
valorização/desvalorização, a cotação das bolsas. Existem os itens que
podem valorizar ou desvalorizar que é indiferente ao restante. Existem
os que afetam o conjunto, e existe também um conjunto que isoladamente
suas desvalorizações não afetariam o conjunto, mas quando simultâneas
geram uma quebradeira geral.
Falar em durabilidade material da
moeda parece irrelevante na atualidade, então vamos ao seu significado:
é procurar algo com padrão comportamental estável. A partir desse
padrão estável, o importante não é divisibilidade material em
cotas-parte, mas sim os comportamentos dos vários setores que terão na
estabilidade da referência um alicerce, não alicerce sólido, nem mesmo
um processo divísível... Como podemos exemplificar? digamos entender a
corrida de cavalos como um processo, as apostas descem e sobem, mas
foram divididas. No caso da dívida americana, não é que as apostas em
torno dela foram necessariamente divididas entre as pessoas, ela é a
referência e "moeda" sem ser dividida para circular. Ela só circula
como mais um item da bolsa, quem circula de verdade como moeda é o
dolar, em papel e metal.
E pensando bem, é também referência
comportamental. Assim como o ouro pressupunha dificuldade de encontrar,
mas também padrões de uso (os ricos usando ouro para ostentação), a
dívida americana, a grosso modo, pressupõe a continuidade do American
Way of Life.
American Way of Life... que ironia, tratam o Obama
como "comunista" e querem restaurar o orgulho branco despreocupado com
o meio ambiente, com as minorias, etc. Os republicanos, querem
restaurar American Way of Life destruindo o Way of Life. Não vejo
sentido nenhum nisso. Acusam o Obama de ser muito distribuidor de renda
(por querer uma saúde pública de qualidade) e simplesmente mandarão
milhões à miséria. Existem arremedos de teorias por aí, como a que diz
que dividindo o bolo antes de crescer, ninguém fica satisfeito. Ou os
que dizem que no gráfico satisfação x acesso, no capitalismo poucas
pessoas têm acesso mas estão satisfeitas com seus produtos, e que no
socialismo o aceso é geral mas a qualidade dos bens deixa a desejar. O
gráfico é desenhado de forma a passar a mensagem de quem não dá para
ter satisfação e acesso ao mesmo tempo. Bem, enfim, várias teorias. No
mundo especulativo se fala em teoria das profecias
auto-realizadas:
se todos estão otimistas, a bolsa vai bem, se todos estão pessimistas,
a bolsa vai mal. Teorias existem aos montes mas... não vejo como os
republicanos podem ser vistos como inteligentes ou ao menos sensatos.
O que escrevi sobre moeda e referência talvez seja apenas
mais um blá-bla-bla, a coisa que está vindo em nossa direção e é
assustador é... a queda dos EUA. Bem que gostaria de saber se a
Conceição Tavares tá fumando nervosa nesse momento...
Célio
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