Nota escrita depois de redigir essa parte:
A despeito da esquisita interrupção no meio do cálculo, a parte do texto ficou muito interessante, talvez seja tanto ou mais importante que o texto da parte 1.
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Consideração que me ocorreu:
Na verdade, apesar dos liberais dizerem que há reação direta entre a existência de concorrência e o bem-estar da sociedade, e relação entre a concorrência e esse bem estar não é numericamente relacionada. Elas são tão pouco relacionadas que, ao tentar ligar um número (e grau) X de concorrência (ou seja, o número de concorrentes e o quanto a rivalidade deles é voraz) ao bem-estar da sociedade (ou seja, o quanto essa presença da concorrência garante que haja produtos por um bom preço, qualidade e renovação tecnológica, ao mesmo tempo que emprega pessoas na produção), vejo que essa relação é tão difícil de se estabelecer como a relação entre a mais-valia e a garantia da existência do lucro para o capitalista.
Na verdade esses dois problemas:
- concorrência x garantia de bem-estar
- mais-valia x garantia de lucro
estão interligados.
A gente pode cruzar um com outro como na regra de 3 e teríamos:
- concorrência x garantia de lucro
- mais-valia x garantia de bem-estar
A concorrência se liga com a questão do lucro e a defesa do modelo de sociedade que os liberais pregam. Mas então como eles respondem à possibilidade de haver uma situação em que vários concorrentes não conseguem lucro justamente pelo excesso de concorrentes que produziu mais que o suficiente para a procura e por isso os preços baixaram muito? Eles respondem que nesse caso os empresários desse setor vão procurar atividades mais lucrativas e abandonar esse ramo saturado, daí esse ramo vai voltar aos níveis saudáveis da relação entre concorrentes e lucro, enquanto os outros ramos vão experimentar desenvolvimento. Assim eles dizem que há relação entre concorrência e bem-estar, embora tenham de admitir que em situações de crise econômica, a crise foi causada pela existência de concorrência (ainda que tenha ouvido falar que mesmo quanto à crise mundial de 2008, tenha existido gente que culpasse o governo). Eles tentam dizer que por outro lado, a recuperação econômica depende de novo da concorrência.
A mais-valia, por estar relacionada à exploração tem a ver com o bem-estar. Se a exploração diminui o bem-estar, existem comunistas pregando o fim da exploração. Por outro lado, no socialismo real (ou SOREX - Socialismo Realmente Existente), dizem que o problema era que o capitalista ficava com a mais-valia, se a mais-valia fosse para o Estado, haveria bem-estar (daí os agricultores foram muito explorados na URSS). Como os social-democratas/terceira via dizem que é possível alcançar esse bem-estar equilibrando os interesses, dizem ser possível conciliar capitalistas e trabalhadores, serviços públicos e concorrência (os países europeus servem de exemplo). Como os neoliberais dizem que essa relação de bem-estar entre trabalhadores e empresários não tem nada a ver com pactos nem Estado e que simplesmente deixando o empresariado livre é que a sociedade alcança o bem-estar, eles exploram muito a dificuldade de provar a relação mais-valia x lucro na concorrência para dizerem que a mais-valia sequer é um conceito válido.
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6- ajuste dos cálculos partes 4 + 5
Podem dizer que o grande defeito do que mostramos no final da parte 5 é que não há sobras, tudo foi vendido, o que não acontece na realidade. Para sanar esse problema, podemos pegar as contas da parte 4.
| CONTA PARTE 5 | CONTAS PARTE 4 |
♥1 →☻1→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅓♦1, ⅕♦3
↪✍1 → $ + ♦1
♥2 →☻2→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅖♦3
↪✍2 → $ + ♦2
♥3 →☻3→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅔♦1
↪✍3 → $ + ♦3
♥4 →☻4→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅕♦3
↪✍4 → $ + ♣
♥5 →☻5→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅕♦3
↪✍5 → $ + $ (♦5)
| M = Mv + Me
Mv = k
l = 0
nem lucro nem prejuízo |
Mv > k
Me < k
l = (+) positivo
lucro |
Mv < k
Me ≥ k
l = (-) negativo
prejuízo |
Assim nem tudo será vendido/consumido. A única coisa certa para os produtores é que eles produzirão suas coisas, mas a garantia de venda é outra história. Aliás, pelo lado da produção também podem surgir os produtos defeituosos, e dependendo da produção elas são inevitáveis (por exemplo, para assar doces, muitas vezes a primeira fornada é descartada pois o forno ainda não atingiu a temperatura correta). Assim, os refugos da produção se assemelham à Mercadoria encalhada (
Me) pois foi um esforço despendido sem proveito.
As certezas na circulação dependem muito. Já comentamos que serviços/produtos públicos são como consumo garantido, que itens essenciais serão consumidos sem estar estabelecido de qual produtor o consumidor irá comprar (a não ser no monopólio) e que quando aos supérfluos, é ainda mais certo se haverá consumou ou não (nesse caso, mesmo com o monopólio).
Por parte do produtor,
Me significa que parte da força de trabalho (
✍) foi desperdiçada na fabricação de sua mercadoria. Para o produtor, se o que ele conseguir vender (
Mv,
♦)
não cobrir pelo menos seu gasto com
✍ e outros itens (ou seja, seu custo de produção k), ele terá prejuízo (Mv <
k).
O interessante é que apesar de não haver garantia de que o que ele produz será consumido, há garantia de que ele (o produtor e sua equipe) vão consumir, pois ganharam seus salários (não vamos aqui falar de coisas complicadas como inflação e desvalorização salarial). Disso podemos estabelecer que no sistema como um todo, há certa garantia de que haverão consumidores, mesmo que para os participantes, produtores individuais, não haja garantia de que tal consumo global os beneficiará.
Desse ponto de vista é questionável a proposta neoliberal de flexibilizar os benefícios sociais conquistados pelos trabalhadores, pois isso mexer no consumo global. Aliás, acho que os keynesianos já fizeram essa crítica.
✍ representa o trabalho, ou seja, é a parte da v (força de trabalho) e m (mais-valia) de k (custos), mas já vimos que a relação entre m e Mv, Me não é direta e depende muito da situação.
Eu até estou com vontade de fazer uma grande equação com as coisas que já vimos até aqui, mas pelo jeito não é fácil, pois tem muitas partes que não têm relação direta uma com a outra Por exemplo o lucro de Mv >
k > Me não tem relação com a mais valia se transformando em lucro, e nem o ✍ tem relação com ☻ quando individualmente analisado (embora tenha todo sentido globalmente).
Mas fazendo uma tentativa:
☻individual, com $ (salário a gastar) →
♣público +
♦produto essencial + ?
♦outros (? porque não é determinável, assim, no nível individual)
✍1 → $ +
♦1
onde
✍ = v + m
♦1 representa a produção total que
✍1 produziu, é o M, e daí uma parte vai se vender, outra encalhar; M = Mv + Me
$ é o salário que será convertido em consumo, ☻
---------------interrupção-----------------
6.1 - considerações a cerca da tabela em si.
Desculpem fazer essa brusca interrupção, mas é que com a pausa para pensar me ocorreram ideias a cerca da tabela, que são mais interessantes do que fazer mais equações.
| CONTA PARTE 5 | CONTAS PARTE 4 |
♥1 →☻1→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅓♦1, ⅕♦3
↪✍1 → $ + ♦1
♥2 →☻2→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅖♦3
↪✍2 → $ + ♦2
♥3 →☻3→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅔♦1
↪✍3 → $ + ♦3
♥4 →☻4→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅕♦3
↪✍4 → $ + ♣
♥5 →☻5→ (⅕)$ → ⅕♣, ⅕♦2, ⅕♦3
↪✍5 → $ + $ (♦5)
| M = Mv + Me
Mv = k
l = 0
nem lucro nem prejuízo |
Mv > k
Me < k
l = (+) positivo
lucro |
Mv < k
Me ≥ k
l = (-) negativo
prejuízo |
Bem, temos o lado esquerdo e o lado direito da tabela.
Do lado esquerdo (conta parte 5) , temos um esquema de equilíbrio, enquanto de do lado direito (conta parte 4) temos só lá em cima o equilíbrio (
Mv =
k), enquanto que as duas outras formas são de desequilíbrio.
[ou, de um outro ponto de vista, os 2 de cima, são de situações sustentáveis, enquanto que a última é a situação insustentável. Ou, ainda de outro ponto: só a do meio é o do "crescimento", o de cima é a "estagnação" e a de baixo é "retrocesso" e só a do meio seria a situação desejada]
Uma curiosidade interessante: embora vendo a tabela acima seja fácil identificar qual lado representa o equilíbrio e qual não, após a publicação do Livro 3 de O Capital, demorou umas décadas para se darem conta de que a teoria de Marx não era uma teoria do equilíbrio.
Assim, a lei do valor, na concepção marxiana da produção capitalista, é a lei reguladora da distribuição das forças produtivas, porém não é sua lei do equilíbrio. O que Schumpeter percebeu, ao contrário de tantos marxistas.
(do finado nesse ano de 2013, Jacob Gorender. pág 32 - Apresentação para O Capital. Coleção Economistas - Abril Cultural - OBS: dizem que um resumo dessa apresentação de Gorender foi parar na nova edição de O Capital da Boitempo)
(claro que da tabela, nenhum dos lados é a teoria marxista, foram improvisações minhas. Aliás, o do lado esquerdo, aposto que muitos antes de mim já montaram algo parecido)
6.2 Equilíbrio, ou, por que a Lei de oferta e procura (l-o-e-p) precisa da Teoria dos Jogos?
Dentro da teoria liberal, em que as pessoas são livres para venderem o que quiserem, parece que algum autor (não me lembro quem) elaborou o exercício de um sistema de leilão em que os participantes dão lances para definir o preço da compra e venda. Ao final do leilão, chegaram a preços satisfatórios para compra e venda e assim as transações são realizadas. Críticos desse exercício dizem que na prática não existe um leilão e os lances acontecem desordenadamente (e não de forma a vendas e compras se concretizarem após tudo estar civilizadamente acertado). A teoria dos Jogos de Nash (vi o filme e li o livro "uma mente brilhante") vem para contribuir para aproximar os lances humanos ao planejamento da economia.
como eu tava mais interessado no drama do que na teoria, não sei explicar a Teoria dos Jogos, mas é isso: Nash, que buscava descobrir o lado matematicamente racional de todo comportamento humano (e de outras tantas coisas assim, e é por isso que ele ficou paranóico e esquizofrêmico, ao tentar desvendar números ocultos que moviam o mundo, etc). A Teoria do Equilíbrio de Nash ajudou a formular leilões vantajosos tanto para o lado dos compradores quanto para o dos vendedores. O sistema de leilões mudou, parece que antes era um sistema de cada um dar um lance e só no final divulgar que lance ganhou e isso poderia ser frustrante para ambos os lados: podia acontecer do lance maior sequer atingir o mínimo desejado, ou do comprador achar que saiu no prejuízo sem ter ideia de quanto realmente valia o item comprado. Com a teoria dos jogos, os lances eram falados a medida que surgiam, e assim tanto o vendedor ficava satisfeito de ver que os lances iam crescendo quanto os compradores ficavam satisfeitos de ver o quanto o item leiloado realmente valia, vendo as apostas de seus concorrentes.
(Esse é um resumo do que aprendi, dizem que isso foi muito útil para privatizar bens públicos em épocas neoliberais, mas infelizmente para alguns itens de algumas nações foi tarde demais e tanto o país vendia a mixaria, quanto atraíam compradores que não sabiam administrar direito por sequer saber o quanto item ex-estatal valia e o quanto de trabalho daria para administrar).
Esse equilíbrio de tudo que é comprado ser vendido, é exatamente o que acontece na no lado esquerdo da nossa tabela. Só que os objetivos são diferentes: o exercício do leilão busca mostrar que após os lances chega-se à satisfação geral (ou seja, ou houve lucro ou pelo menos não houve prejuízo, algo semelhante ao que ocorre no alto e no meio da nossa tabela), e assim a um sistema sustentável amparado na l-o-e-p. Já o nosso sistema onde também tudo que é ofertado é vendido, e também temos sustentabilidade do sistema, ao invés de mostrar a sustentabilidade da l-o-e-p, quer mostrar que a sustentabilidade vem de proporções corretas do que é produzido.
É possível que o esquema de leilões dos defensores da l-o-e-p ficariam graficamente semelhante à minha tabela, mas por causa dos objetivos diferentes, os defensores da l-o-e-p ficariam com horror se pensarem sobre mim, o autor. Vão pensar "esse cara tem envolvimento com socialistas" e desprezariam as semelhanças e pensariam que a aplicação do meu esquema pode ser pretexto para firmar a necessidade do Estado prestador de serviços e cunhador de moedas, e que levaria à consumo obrigatório dos itens ("sobraram tantos bolos, fulano, hoje ao invés de você comer biscoito, será obrigado a comer bolos, pois estão sobrando!"). Vão até ter calafrios se pensarem por esse viés: podem imaginar que que não há consumo obrigatório só sobre o que sobrou, mas que todas as compras, ao invés de respeitarem a opinião do consumidor, serão "empurrar goela abaixo", remetendo às ficções científicas que imaginam regimes totalitários.
6.2 - breve comentário à diferença entre pressupostos e objetivos
Quando Marx expôs a teoria do dinheiro, na época dele havia mais mercadoria que dinheiro, de forma que uma parte da teoria serve justamente para mostrar como com menos dinheiro do que mercadorias, as trocas eram possíveis pois do dinheiro circulava de mão em mão, um dinheiro era usado para comprar, e o vendedor já usava esse dinheiro para outro negócio.
Hoje em dia, há mais dinheiro do que mercadorias. Por causa da especulação financeira, há mais dinheiro do que o valor de todas as mercadorias somadas, e os críticos do capitalismo mostram isso para mostrar a irracionalidade do sistema.
Assim, pensar que há menos dinheiro que mercadorias seria partir do pressuposto errado, mas isso não abala a teoria de Marx, pois o objetivo continua o mesmo. E um dos objetivos era justamente mostrar um sistema onde procura e oferta raramente batem, e isso provavelmente é aplicável à existência do dinheiro em si: a quantidade de mercadorias não bate com a quantidade de dinheiro. (Mas não deixa de ser simpática a ideia de recalibrar a quantidade de dinheiro e de mercadorias como proposta de repensar o sistema especulativo atual.)
No caso do dinheiro, ainda acho que os defensores da l-o-e-p, se adotassem ícones do pacman, chegariam à um esquema graficamente semelhante ao meu, e eles podem concordar que os objetivos "iniciais" convergem, como a compra que coincide com a venda (ou ,a vontade de satisfazer coincide com a satisfação) e a ssutenatbilidade do conjunto, mas vão divergir muito pensando em objetivos políticos.
6.3 - retomando à briga: lances pela l-o-e-p x predeterminação do que cada um compra/vende (que alguns entendem como liberdade x totalitarismo)
Uma correção: na verdade não defendo o totalitarismo, pois aind que não tenha visto os esquemas que Stalin elaborou, o que tive conhecimento parece que resultará num esquema muito diferente do meu. Os tais Planos Quinquenais pelo jeito eram muito complexos, enquanto que o meu é simples. aliás, eu quero chegar à satisfação dos participantes do sistema, e não à consumo goela abaixo.
Se pensarmos bem, o sistema da l-o-e-p também pode ser muito opressor, podendo também haver opressão de obrigação de comprar ou de vender por preços desagradáveis.
A tal liberdade de escolha, se pela Teoria de Jogos chega-se a lances "obrigatórios", não é muito diferente de um controle estatal.
(Isso até me fez lembrar de Matrix 2 e 3: sua escolha é realmente livre ou já foi prevista?)
No nosso esquema dinheiro, serviço público e biscoitos todo mundo teve. Defensores da l-o-e-p diriam que é muito desagradável ver o serviço público, mas eles provavelmente chegariam à resultados semelhantes do caso do biscoito: apesar de não ser obrigatório consumir, todos acabaram consumindo.
A pergunta é: os defensores da l-o-e-p chegariam mesmo à sustentabilidade se eles fossem pela utopia anti-estatal deles?
Por eles, mesmo os serviços como coleta de lixo seriam privatizados, então imagino que pelo esquema deles, existiria por somatória de lances individuais: a coleta de lixo acabaria sendo generarizada pois cada um dos participantes entendeu que a coleta é útil à ele mesmo. E por causa dos pedidos generalizados, também o fornecedor do serviço chegou à um preço atrativo a oferecer (seria mais caro recolher de pedidos isolados, recolher um lixo desse bairro, ir até o outro bairro recolher outro, um lixo distante do outro com custo de gasolina). Ou ainda, aplicando um pouco de Teoria dos Jogos, todos acabariam pedindo o serviço pois ninguém quer ficar para trás, e viram que ficariam para trás se o seu estabelecimento ficasse cheio de lixo.
Defensores de pensamentos assim, dizem que o Estado não precisa cuidar do meio ambiente, nem do social, nem da previdência, nem nada, pela liberdade dos lances individuais, o conjunto ia se ajustar a prover um conjunto de serviços, onde tal como no meu esquema, os produtores conseguiria consumir itens disponíveis no mercado pelo conjunto dos produtores (embora provavelmente fossem abominar a paridade consumidor-trabalhador, chegariam a um esquema onde os produtores de bolos, biscoitos, recolhimento de lixo, etc, conseguiriam usufruir desse conjunto de coisas produzidas).
6.4 - O famoso exemplo do Restaurante
Um dos mais famosos exemplos do porque cada um deve pagar sua conta é o do restaurante: eles dizem que no esquema atual, com a presença estatal, é como se você fosse ao restaurante, mas ao invés de cada um pagar sua conta, você está sustentando gente que come e deixa a conta para você. Dizem eles que quem paga a conta são as iniciativas privadas, e quem come sem pagar se aproveitando de você são os beneficiários do Bolsa-Família, os políticos, etc, etc.
Eu costumo contrargumentar que no restaurante tem vários serviços comuns ("públicos"), como banheiros, guardanapos, mesas, etc, e que se a lógica do cada um pagar sua conta imperasse em tudo, seria desastroso. Cobrar por cada acesso ao banheiro por exemplo seria como privatizar a previdência.
6.5 - derivativos - algo que me impressiona
Derivativos foram explicados nos filmes "Inside Job" (de Ferguson) e "Capitalismo -uma história de amor" (de Michael Moore). No de Michael Moore ficou meio explicado de qualquer jeito, mas no Inside Job foi melhor explicado.
De qualquer forma, o que fico impressionado, é que (colocando meu entendimento) derivativos representam não um investimento direto, mas a possibilidade de investimento. É uma forma de apostar numa coisa que não é certo que vá acontecer. Isso pelo jeito é matematicamente muito complexo (Moore fazia cara de quem não estava entendendo nada no documentário).
Mais impressionante é que derivativos foram criados pensando em proteger o sistema mas por seu uso abusivo, ajudaram a quebrar o sistema. Se entendi certo também, porque investir em derivativos era seguro, era apostar que poderia haver ou não investimento, mas que de qualquer forma, mesmo não sabendo direito no que se investia, se investia no pressuposto de que aquela grande empresa não iria quebrar. Quebrando as firmas que ninguém imaginava que iam quebrar, os derivativos também desabaram junto.
Derivativos me parecem um dos pontos mais altos da questão dos lances "livres" permitidos pela l-o-e-p, Teoria dos Jogos, etc. Contudo, quanto mais eles avançam nisso, mais temos previsão certa do comportamento, e o paradoxo é que aí , é como se tivéssemos mais controle.
Se tivéssemos mentes brilhantes que trabalharam nos derivativos pensando para o campo socialista, talvez tivéssemos resultados surpreendentes (como os russos eram inteligentes, provável que tivemos sim, mas como tudo aquilo de Planos Quinquenais se misturava com propaganda política, e outros problemas stalinistas, parece que não chegaram à nada tão sintético como derivativos.).